Com piora da pandemia, Ibovespa fecha em queda de 1% e dólar dispara 2,2%

O dólar registrou a maior alta diária em seis meses, fechando cotado a R$ 5,63 na venda e anulando as perdas da semana anterior.

Ana Paula Pereira
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Em uma sessão marcada por volatilidade no Brasil e no exterior, o Ibovespa terminou o dia em queda, perdendo 1,06% aos 112.064 pontos, apesar da disparada de 12% nas ações do Carrefour Brasil após o anúncio da aquisição do Grupo BIG por R$ 7,5 bilhões. A pandemia, no entanto, segue pesando sobre o humor do mercado, com o avanço nas contaminações no Brasil e na Europa impactando as projeções de reabertura das economias.

A puxada negativa no fim do dia foi liderada pelo desempenho das ações em Wall Street, com recuo expressivo nos papéis de tecnologia após novas declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a manutenção da política monetária atual, apesar da projeção de pressão inflacionária no país. Ontem, declarações da secretária do Tesouro, Janet Yellen, sobre planos para uma elevação dos impostos nos EUA derrubaram as ações.

O Nasdaq Composite encerrou o pregão com recuo de 2,01% aos 12.961 pontos, o S&P 500 perdeu 0,55% aos 3.889 pontos e o Dow Jones fechou estável, perdendo 0,01% aos 32.420 pontos.

No contexto político doméstico, governadores pediram hoje aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a adoção de providências para a segurança de renda da população, com um auxílio emergencial em valor superior à média de R$ 250 oferecida pelo governo. Em carta, 16 governadores manifestam apoio a 300 organizações que compõem a “Campanha Renda Básica que Queremos”, e defendem que a garantia de renda à população precisa estar associada à adoção de medidas de isolamento social diante do agravamento da Covid-19 no país.

A curva de juros mostrou novo aumento na sessão, mesmo após o Banco Central adotar uma política monetária mais austera.”Hoje, ela já precifica uma alta de 1 ponto percentual na (Selic) na reunião de maio”, observou o sócio e responsável por alocações de fundos de fundos na Kilima Gestão de Recursos, Renato Mekbekian, acima da sinalização do próprio Banco Central.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual na semana passada, para 2,75% ao ano e sinalizou novo aperto de igual magnitude em maio.

No radar dos mercados hoje esteve também o Canal de Suez, rota marítima mais curta entre Europa e Ásia, que segue bloqueada após um dos maiores navios de contêineres do mundo encalhar no local. Cerca de dez rebocadores trabalhavam na remoção do navio nesta tarde.

O Ever Given, embarcação de 400 metros e 224 mil toneladas, encalhou ontem após perder a capacidade de manobra em meio a fortes ventos e a uma tempestade de areia, disse a Autoridade do Canal de Suez (SCA, na sigla em inglês) em comunicado. Cerca de 12% do comércio mundial em termos de volume passa pelo canal, que é uma importante fonte de recursos para o Egito, gerando US$ 5,6 bilhões em 2020. Os produtos transportados pelo Canal de Suez vão de combustíveis a bens de consumo.

O dólar saltou 2,25% nesta quarta-feira, a maior alta diária em seis meses, negociado a R$ 5,63 na venda, num movimento puxado pela piora da percepção de risco relacionado ao Brasil, com o avanço da pandemia ameaçando a perspectiva de retomada econômica e os debates sobre reformas.

Com os ganhos de hoje, o dólar zerou as perdas acumuladas desde a semana passada, quando o Banco Central surpreendeu ao elevar os juros em ritmo mais forte que o esperado pelo mercado. (Com Reuters)

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