Ibovespa fecha em queda com pandemia na Europa e forte correção no petróleo

O Ibovespa encerrou o pregão de hoje (23) em queda de 1,49% aos 113.261 pontos, em dia de volatilidade e cautela dos mercados globais diante do arrefecimento na expectativa de breve reabertura das economias com as vacinações. O avanço da terceira onda de contaminações na Europa pesou sobre o sentimento, com novos lockdowns e medidas de distanciamento social sendo endurecidas na Alemanha, França e Itália.

O recuo de 6% nos preços do petróleo, acompanhado por declínio nas ações da Petrobras, colaborou novamente para a pressão negativa sobre o índice brasileiro.

No cenário doméstico, pesa ainda sobre a Bolsa o contexto da pandemia no Brasil e seus impactos sobre a atividade. Dados divulgados hoje pela FGV (Fundação Getulio Vargas) mostram que a confiança do consumidor brasileiro caiu em março para mínima em dez meses, com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuando em 9,8 pontos em março, para 68,2 pontos, mínima desde maio de 2020, quando teve leitura de 62,1.

“A forte queda da confiança dos consumidores é resultado do recrudescimento da pandemia de Covid-19 em todo o país e do colapso do sistema de saúde em várias cidades”, explicou em nota a coordenadora das sondagens, Viviane Seda Bittencourt.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou hoje que o foco do Congresso, nesta e nas próximas semanas, é o enfrentamento à pandemia de Covid-19, além de outras prioridades, como as reformas administrativa e tributária, cujo cronograma alinhado com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), prevê que seja deliberada em oito meses. O senador também citou marcos setoriais, como projeto que reorganiza o de ferrovias no país, e ainda as privatizações, caso da capitalização da Eletrobras enviada pelo governo ao Congresso.

Pacheco anunciou ainda que a Casa já trabalha em um projeto de regularização tributária destinado a empresas. “Há um projeto que nós estamos trabalhando também… é o projeto do novo programa de parcelamento dívidas tributárias, o novo programa de regularização tributária”, disse o parlamentar.

Em Wall Street, a sessão também foi marcada por oscilações nos principais índices acionários. O viés negativo ganhou força após a participação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e da secretária do Tesouro, Janet Yellen, em audiência no Congresso. Powell reiterou que o Fed manterá a política monetária atual em apoio à recuperação econômica e que o banco central norte-americano possui ferramentas para lidar com uma eventual pressão inflacionária.

Em sua participação, Janet falou sobre planos em desenvolvimento para futuros aumentos de impostos nos EUA, a fim de custear novos investimentos públicos. As declarações colocaram investidores em alerta e colaboraram com a pressão sobre as ações. O Dow Jones terminou o dia recuando 0,94% aos 32.423 pontos, o S&P 500 perdeu 0,76% aos 3.910 pontos e o Nasdaq registrou queda de 1,12% aos 13.227 pontos.

O dólar tomou fôlego nas últimas horas da sessão e fechou perto da estabilidade, recuando 0,05% e negociado a R$ 5,51 na venda, influenciado no fim do dia pela piora no sentimento externo. Ainda assim, o real teve desempenho bem melhor que seus pares na sessão, com investidores analisando a sinalização do Banco Central de mais elevações de juros.

“O real respondeu hoje ao que vem respondendo desde a semana passada: a sensação de que o BC está mais ‘hawkish’ (firme contra a inflação)”, disse Rogério Braga, sócio diretor e responsável pela gestão de renda fixa e multimercados da Quantitas, para quem a postura do BC está mudando a “instância de posicionamento no real pelo mercado”.

A Quantitas projeta dólar de R$ 5,40 ao fim do ano, ainda afetado por problemas fiscais do país. Pelo modelo de taxa justa de câmbio, no entanto, a gestora calcula que o dólar deveria estar mais próximo de R$ 5. (Com Reuters)

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