Incertezas impõem teto de 0,50 ponto percentual para alta de juros

Juros caminha para fechar o ano entre 5% e 5,50%, segundo Sergio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch Independent Insights

Redação
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REUTERS/Ueslei Marcelino
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Segundo Sergio Goldenstein, o Banco Central vai limitar o aumento da taxa Selic

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A piora nas expectativas para a economia, o ambiente de incertezas citado nas últimas comunicações do BC (Banco Central) e recentes medidas sobre compulsórios indicam que amanhã (17), o BC vai limitar o aumento da Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) a 0,50 ponto percentual, com o juros caminhando para fechar o ano entre 5% e 5,50%, de acordo com Sergio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch Independent Insights.

“Teremos um crescimento (econômico) de 2,5% neste ano. É medíocre”, disse Goldenstein, avaliando ainda que as expectativas de inflação para 2022 – atualmente o ano mais importante no horizonte relevante da política monetária – não foram contaminadas pelas pressões que se abatem sobre o cenário inflacionário para 2021.

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O consultor entende que ser mais agressivo na política monetária no momento atual poderia levantar dúvidas sobre o conceito de que não há relação mecânica entre as políticas cambial e monetária. Goldenstein, ex-chefe do Demab (Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central), acredita que a normalização da política monetária dará algum suporte ao câmbio, reduzindo o caso, nas condições atuais, de o dólar ir para R$ 6. Contudo, ele também não vê a moeda abaixo de R$ 5. Hoje (16), o dólar estava em torno de R$ 5,61.

“O início da correção na Selic ajuda na correção do câmbio, mas este depende de algo a mais do que a Selic: depende também do quadro fiscal, termos de troca, comportamento global do dólar, Treasuries e ambiente político”, argumenta o consultor, afirmando que, na margem, o fiscal ficou mais delicado e o cenário externo se tornou menos favorável. “O cenário para a economia real é mais delicado, menos favorável. E isso, por consequência, afeta os ativos financeiros do país.”

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Do lado da política monetária, o ex-diretor do BC avalia que a própria elevação dos juros é um sinal hawkish (mais duro com a inflação) ao mercado e que, no comunicado, o Copom (Comitê de Política Monetária) deveria evitar se comprometer com um cenário específico.

“Num ambiente de incerteza, o BC não tem ganhos ao sinalizar os próximos passos. O comunicado tem que deixar opções em aberto, de modo que o mercado possa entender que, se o balanço de riscos continuar a deteriorar, o BC pode sim ajustar o ritmo na frente”, afirmou Goldenstein, considerando que, nesse caso, nada impediria o BC de aumentar os juros em 0,75 ponto percentual à frente. (Com Reuters)

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