Credit Suisse demite dois executivos e perde US$ 4,7 bilhões com Archegos

Este é o segundo grande escândalo para o banco em pouco mais de um mês após o colapso da Greensill Capital

Redação
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Arnd Wiegmann/Reuters
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Analistas do JPMorgan estimam que as perdas combinadas dos escândalos de Archegos e Greensill podem chegar a US$ 7,5 bilhões.

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O Credit Suisse disse hoje (6) que sofrerá uma perda de 4,4 bilhões de francos suíços (US$ 4,7 bilhões) relacionada às negociações com a Archegos Capital Management, o que o levou a reestruturar o comando das divisões de banco de investimento e risco.

O banco agora espera registrar um prejuízo no primeiro trimestre de cerca de 900 milhões de francos suíços. Também suspendeu planos de recompra de ações e cortou dividendos em dois terços.

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O segundo maior banco da Suíça, que se desfez de mais de US$ 2 bilhões em ações para encerrar a exposição ao fundo de investimento de Nova York, disse que a diretora de risco e conformidade Lara Warner e o diretor de banco de investimentos Brian Chin estão saindo após as perdas.

Os eventos relacionados à Archegos ofuscam o lucro líquido de 2,7 bilhões de francos suíços do banco no ano passado, com questões sobre como sua exposição à gestora se tornou tão grande, que ainda não foram respondidas.

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“A perda significativa em nosso negócio de serviços Prime relacionada ao fracasso de um hedge fund com sede nos Estados Unidos é inaceitável”, disse o presidente-executivo do Credit Suisse, Thomas Gottstein, em um comunicado. “Lições sérias serão aprendidas.”

É o segundo grande escândalo para o Credit Suisse em pouco mais de um mês após o colapso da Greensill Capital, com as ações do banco caindo um quarto desde 1º de março.

O conselho do banco lançou uma investigação sobre as perdas da Archegos e também iniciou uma investigação sobre seus fundos de US$ 10 bilhões que investiram em títulos da Greensill.

Os bônus propostos para os membros do conselho executivo foram descartados e o presidente de saída Urs Rohner, que preside o banco desde 2011, renunciará à sua gratificação de presidente de 1,5 milhão de francos suíços para o ano.

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O novo presidente António Horta-Osório, atual CEO do Lloyds Bank do Reino Unido, está sendo informado das investigações conduzidas por um “membro muito importante” do conselho de administração, disse uma fonte familiarizada com o assunto.

O banco disse que a perda da Archegos ofuscou um início de ano “forte” em suas unidades de banco de investimento e de gestão de patrimônio.

O banco disse que Christian Meissner, que dirigia o banco de investimentos no Bank of America antes de ingressar no Credit Suisse no ano passado, seria nomeado chefe do banco de investimentos a partir de 1º de maio. Joachim Oechslin retomará temporariamente o cargo de diretor de risco , que ocupou anteriormente até fevereiro de 2019, enquanto Thomas Grotzer se tornará o chefe global interino de conformidade.

Warner e Chin estão pagando o preço por um ano em que os protocolos de gerenciamento de risco do Credit Suisse foram submetidos a severas análises. Analistas do JPMorgan estimam que as perdas combinadas dos escândalos de Archegos e Greensill podem chegar a US$ 7,5 bilhões.

A australiana Warner só assumiu a função de gerenciamento de risco e conformidade em agosto do ano passado, tendo sido anteriormente chefe do grupo de conformidade e diretora financeiro do banco de investimento. Chin dirigiu a unidade de mercados globais do banco entre 2016 e 2020, antes de ser transferido para o banco de investimento.

O Credit Suisse também está em contato com todos os membros de seu colégio regulatório central – composto pelo supervisor do mercado financeiro suíço FINMA, a Autoridade de Regulação Prudencial do Reino Unido e o Federal Reserve dos EUA – sobre o assunto Archegos, acrescentou a fonte familiarizada com o assunto. A FINMA confirmou que está em contato com o Credit Suisse sobre o assunto, mas recusou comentários adicionais. (Com Reuters)

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