Nomura e Credit Suisse alertam sobre perdas após hedge fund dos EUA não cumprir chamada de margem

Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Credit Suisse provavelmente serão de pelo menos US$ 1 bilhão

Nomura e Credit Suisse estão enfrentando bilhões de dólares em perdas depois que um hedge fund dos Estados Unidos, que fontes afirmam ser o Archegos Capital, não cumpriu chamadas de margem, colocando investidores em alerta sobre quem mais poderia ter sido pego.

As perdas na Archegos Capital Management, comandada por Bill Hwang, ex-gestor do Tiger Asia, desencadearam uma grande venda de ações na última sexta-feira (26), segundo fonte familiarizada com o assunto.

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O Nomura, o maior banco de investimento do Japão, alertou hoje (29) que enfrenta uma possível perda de US$ 2 bilhões devido a transações com um cliente norte-americano, enquanto o Credit Suisse disse que o não cumprimento de chamadas de margem por um fundo com sede nos EUA poderia ser “altamente significativo e substancial” para o resultado do primeiro trimestre.

O banco suíço disse que um fundo ficou “inadimplente em chamadas de margem” para ele e outros bancos, o que significa que o Credit Suisse estava se desfazendo das posições do fundo.

Duas fontes disseram que as perdas do Credit Suisse provavelmente serão de pelo menos US$ 1 bilhão. Uma dessas fontes disse que as perdas podem chegar a US$ 4 bilhões, um número também divulgado pelo “Financial Times”. O Credit Suisse não quis comentar sobre qualquer estimativa.

As ações do Nomura fecharam com queda de 16,3%, um declínio recorde para um dia, enquanto as ações do Credit Suisse caíram 14%, a maior perda em um ano.

O regulador financeiro da Suíça disse hoje que estava ciente do caso do hedge fund e entrou em contato com o Credit Suisse a respeito. O regulador suíço também disse que vários bancos estavam envolvidos.

O Banco Nacional da Suíça não quis comentar.

No Japão, o secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, disse que o governo vai monitorar cuidadosamente a situação envolvendo o Nomura e que a Agência de Serviços Financeiros compartilhará informações com o Banco do Japão.

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As ações de outros bancos foram afetadas, com o Deutsche Bank caindo 3,2%, enquanto o UBS perdia 3,9%. O UBS não fez comentários imediatos sobre os preços de suas ações ou exposição à Archegos.

A exposição ao Archegos do Deutsche era uma fração do que outros têm, disse uma fonte familiarizada com o assunto, acrescentando que o banco alemão não havia incorrido em perdas e estava em processo de administração de sua posição.

CHAMADA DE MARGEM

Uma chamada de margem é quando um banco pede a um cliente que forneça mais garantias se uma transação parcialmente financiada com dinheiro emprestado cair drasticamente em valor. Se o cliente não puder fazer isso, o credor venderá os ativos para tentar recuperar o que é devido.

Chamadas de margem sobre a Archegos Capital levaram a um desmonte massivo de apostas em ações alavancadas. As ações da ViacomCBS e da Discovery caíram cerca de 27% na última sexta-feira, enquanto as ações listadas nos EUA da Baidu e da Tencent Music despencaram durante a semana, caindo 33,5% e 48,5%, respectivamente, dos níveis de fechamento da última terça-feira (23).

Os investidores estavam nervosos sobre se toda a extensão da aparente movimentação da Archegos foi realizada ou se havia mais vendas por vir.

Hwang não respondeu a uma mensagem no LinkedIn. Uma pessoa da Archegos que atendeu o telefone no sábado não quis comentar. Hwang, que fundou a Archegos e dirigiu a Tiger Asia de 2001 a 2012, rebatizou-a Archegos Capital e transformou-a em um family office, de acordo com uma imagem do site do fundo. O Tiger Asia era um fundo com sede em Hong Kong que buscava lucrar com apostas em títulos na Ásia.

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Em 2012, Hwang fechou acordo relacionado à negociação com informações privilegiadas com a SEC (Securities and Exchange Commission), órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, de acordo com nota à imprensa na época. Ele e suas firmas concordaram em pagar US$ 44 milhões no acordo, segundo o comunicado.

A escala das perdas nos bancos provavelmente levantará questões sobre a supervisão dos bancos de sua exposição à Archegos.

“Se os números que podemos ler sobre o Credit Suisse forem precisos, há claramente um grande problema de gerenciamento de risco”, disse Jérôme Legras, sócio-gestor e chefe de pesquisa da Axiom Alternative Investments, que investe em bancos e seguradoras. (Com Reuters)

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