Empreendedores da experiência: a estratégia da Ioasys, startup comprada pela Alpargatas

Recém adquirida pela Alpargatas, startup de tecnologia tem entre o portfólio de clientes o Banco Inter, Pfizer e Havan.

Artur Nicoceli
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Divulgação/Wanezza Soares
Divulgação/Wanezza Soares

Roberto Funari, CEO da Alpargatas, entre Gilson Vilela Jr (esquerda) e Walter Galvão Neto (direita)

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“Se a gente não se adaptar às tecnologias que vão surgindo, podemos ser engolidos pelo mercado e perderemos espaço.” Esse poderia ser o lema de qualquer empresa, mas é a estratégia de negócios da Ioasys, startup que oferece consultoria digital para grandes corporações e comprada pela Alpargatas no início deste mês por R$ 200 milhões. Em entrevista exclusiva à Forbes, os fundadores da companhia, Gilson Vilela e Walter Galvão, avaliam que a aquisição foi fruto do trabalho incessante que começou atendendo a PMEs (pequenas e médias empresas) de Minas Gerais e terminou oferecendo serviços para grandes players em diferentes setores, como o Banco Inter, Pfizer, Burger King, Localiza e a própria Alpargatas.

Roberto Funari, presidente da Alpargatas, que possui a Havaianas e a Osklen em seu leque de produtos, avalia que a aquisição de 100% das ações da Ioasys potencializa os pilares de expansão global da companhia, acelerando vendas online e a extensão do portfólio de produtos. “Vilela e Galvão possuem um histórico comprovado de sucesso em soluções digitais end-to-end e uma cultura forte centrada na experiência do usuário”, comenta o executivo que viu na empresa a oportunidade de criar um ecossistema de aceleração de projetos estratégicos.

A startup nasceu em 2012 voltada à criação de aplicativos e, hoje, busca transformar o ambiente físico e digital voltado à experiência do cliente. Com a aquisição, a Ioasys irá criar um braço dedicado somente aos produtos da Alpargatas, mas continuará operando de forma independente, “servindo sua base atual de clientes e prospectando novos”, afirmou Funari.

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A dupla fundadores Ioasys, que continua à frente do negócio, acredita que um dos drivers de sucesso da companhia foi uma parceria com o governo do Reino Unido para fundar o Startup Games, um jogo fictício que unia investidores e empresas inovadoras. “Apesar de ser uma brincadeira, nosso intuito era que as ideias fossem apresentadas e, ao final do dia, recebessem investimentos de verdade”, afirmou Galvão. A partida aconteceu durante as Olimpíadas no Brasil e, devido ao sucesso, o consulado britânico levou o game para a Austrália, Singapura, Turquia, Chile e México. O evento acontecia em um dia e a Ioasys recebia 10 mil pounds (R$ 74 mil, na cotação de 17 de maio de 2021) por competição. Esse movimento ocorreu entre 2014 e 2016.

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Em meio às viagens internacionais para rodar o Startup Games, os empreendedores decidiram mudar o foco do negócio e direcionar os esforços a grandes companhias. “Vimos que o mercado de inovação e transformação digital apresentava grandes possibilidades nesse nicho e intensificamos nossas estratégias no Brasil para buscar as grandes”, justificou Galvão.

Meses depois da mudança estratégica, eles participaram ativamente da mudança do Banco Intermedium para Inter. A Ioasys ajudou a estruturar o aplicativo banco, o que possibilitou a criação de contas digitais. “Meu sonho como empreendedor é impactar pessoas com tecnologia. Ver os brasileiros amando a instituição financeira é ótimo”, conta Vilela. Em dezembro de 2020, outro sucesso liderado pela dupla foi a loja do Burger King 100% desenhada pelos consumidores. “No final do dia, a gente fala muito de experiência.”

A família é a alma do negócio

Os jovens empreendedores – Vilela, com 30 anos, e Galvão, com 34 anos – são primos de primeiro grau, filhos de irmãs gêmeas, mas o contato entre eles só começou graças ao empreendedorismo. Enquanto Vilela morava em Belo Horizonte (MG), Galvão passava a juventude em Nepomuceno (MG). O belo-horizontino, um autodeclarado “nerd típico”, criou seu primeiro aplicativo aos 20 anos, enquanto ainda era estudante do curso de engenharia. A solução tinha o objetivo de facilitar a divisão de contas em estabelecimentos, separando o consumo entre os que consumiam bebidas ou não. “Eu já pensava na melhor experiência do usuário”, afirmou Vilela.

Há aproximadamente 290 km de distância, em Nepomuceno, seu primo Galvão traçava sua trajetória no empreendedorismo. Em 2001, havia fundado uma loja que alugava videogames. “Eu comprava alguns consoles e cobrava por hora para as pessoas utilizarem. A gente contava com alguns playstations da época e tinha vários outros jogos também.” Quatro anos depois, ele deixou o negócio para estudar administração de empresas. Ao se formar, mudou-se para São Paulo e passou a atuar em uma transportadora nacional, tendo mais de 300 funcionários sob sua gestão.

A carreira profissional de Galvão chamou a atenção de seu tio, pai de Vilela, que sugeriu ao filho empreender ao lado do primo. Foi assim que a dupla tentou, sem sucesso, monetizar o aplicativo criado em 2012, quando decidiram prestar serviços de desenvolvimento de software para startups, fundando a Ioasys. Após nove anos de operação, sem citar faturamento, eles já contam com mais de 200 clientes em carteira.

O coronavírus e o futuro da aquisição

A pandemia foi um momento de crescimento para os executivos. Enquanto o mercado procurava saídas para superar a crise que iria assolar a economia, os empresários ofereceram serviços para digitalizar companhias. “A gente surfou muito bem”, afirma Galvão. “Pegamos o cenário e transformamos em grandes oportunidades”. Nos últimos 12 meses, outros 10 grandes players entraram no portfólio: CVC, Havan, Vale, Hospital Care, Raízen, entre outros.

Os primos explicam que a Ioasys é um negócio “super rentável”, pois as mudanças tecnológicas criam a necessidade de adaptações constantes em versões de softwares e lojas a fim de atender às necessidades de usuários e clientes. A média de entrega de um produto pela Ioasys é entre quatro a cinco meses. Atualmente, cerca de 50 milhões de pessoas usam as tecnologias criadas pela startup.

“Queremos sempre potencializar nossas entregas. Queremos alçar novos voos”, declara Vilela. A perspectiva dos primos é dobrar de tamanho nos próximos quatro anos e atender mais cinco novos clientes ainda em 2021. Ao lado dos empreendedores, a Alpargatas espera criar um ecossistema para “acelerar e escalar projetos estratégicos, como a criação de soluções DTC, a expansão da plataforma CRM baseada em customer experience, além de acelerar as experiências digitais nos mercados internacionais para fortalecer a marca.”

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