Ibovespa sobe quase 1% com exterior e Petrobras, mas fecha semana estável

O Ibovespa fechou em alta de 0,97% o último pregão da semana aos 121.880 pontos, acompanhando a recuperação nos mercados globais e apoiado no avanço de 5% da Petrobras (PETR4), que registrou lucro líquido de R$ 1,17 bilhão no primeiro trimestre, revertendo prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões no mesmo período do ano passado. Na semana, o índice brasileiro fechou estável, com queda acumulada de 0,13%.

Além da reversão no prejuízo, favoreceram o otimismo do mercado com a estatal as perspectivas de manutenção do plano de desalavancagem. Em conferência de resultados, executivos da empresa afirmaram que os desinvestimentos neste ano até 11 de maio somaram US$ 2,5 bilhões, registrando ainda entrada de caixa das vendas de ativos de US$ 472 milhões.

“A avaliação é de que os números foram fortes e colocam a companhia na trilha de bom pagamento de dividendos, vide a forte geração de caixa projetada”, comenta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Ainda de acordo com o especialista, o movimento positivo no dia foi limitado pelas quedas nas empresas atreladas às commodities, influenciadas pela forte correção nos preços do minério de ferro no exterior. Autoridades chinesas investigam manipulações nos preços e ameaçam suspender negócios em usinas na cidade de Tangshan. As suspeitas são de que as usinas teriam espalhado rumores ou armazenado produtos a fim de favorecer a alta nos preços, já que a evolução na cotação do aço ultrapassou o aumento dos custos.

O vergalhão de aço mais negociado na Bolsa de Futuros de Xangai, para entrega em outubro, fechou em queda de 6%, a 5.641 iuanes (US$ 876,61) por tonelada. Os futuros de minério de ferro de referência na Bolsa de Dalian, para entrega em setembro, caíram 7,5%, para 1.173 iuanes por tonelada (US$ 182,16).

Em Wall Street, os principais índices de ações terminaram a sexta-feira no azul, em rota de recuperação numa semana marcada por três dias consecutivos de perdas e preocupações com a trajetória inflacionária. O fôlego na sessão foi amparado por dados e pela nova orientação do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos de que pessoas totalmente vacinadas não precisam usar máscaras em ambientes abertos, nem fechados.

No fechamento, o Dow Jones avançou 1,06 aos 34.382 pontos, o S&P 500 teve alta de 1,49% aos 4.173 pontos e o Nasdaq ganhou 2,32% aos 13.429 pontos.

Nos indicadores norte-americanos, as vendas do varejo ficaram estagnadas em abril, ante expectativa de alta de 1,0%. Já a atividade nas fábricas aumentou 0,4% no mês passado (em linha com as expectativas), após alta de 3,1% em março. Os preços de importados também subiram no mês passado em 0,7%, depois de avanço de 1,4% em março. O sexto aumento mensal seguido impulsionou a taxa anual a 10,6%, a mais forte desde outubro de 2011 e de 7,0% em março nessa base de comparação.

O dólar fechou em queda de 0,78% nesta sexta-feira e negociado a R$ 5,2705 na venda, respondendo ao alívio global na sessão, mas acumulou alta de 0,8% na semana, após a escalada por temores inflacionários nos Estados Unidos.

A calma nos mercados globais de câmbio veio depois de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, afirmar ontem que a autoridade não elevará os juros até ver a inflação acima da meta por um longo tempo ou uma inflação excessivamente alta.

Os mercados experimentaram um solavanco na quarta-feira, depois que dados muito mais fortes de preços ao consumidor nos EUA turbinarem apostas de que o Fed seria levado a apertar mais rapidamente a política monetária. Na prática, isso se traduziria em enxugamento de liquidez, que deixaria de fluir para países emergentes, como o Brasil.

“O mercado já vive há décadas sem uma experiência concreta de inflação nos EUA. Então, não será de um dia para o outro que este cenário irá se entrincheirar no preço dos ativos. Isso levará tempo e novos dados econômicos”, disse Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. “De maneira geral, espero um cenário de maior volatilidade pela frente”, completou.

Estrategistas do Bank of America avaliam que o consenso é de dólar mais fraco no mundo, mas ponderam que o momento de redução de estímulos nos EUA continua como um fator-chave para a dinâmica dos mercados e que ruídos vindos dos próximos dados podem deixar investidores mais cautelosos ao expressarem suas visões.

No Brasil, o câmbio foi tema de participações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do diretor de Política Monetária, Bruno Serra, em eventos virtuais.

Campos Neto disse acreditar que a pressão cambial mais forte decorrente do desmonte do “overhedge” (proteção cambial adicional dos bancos) e de pré-pagamentos de dívidas em moeda estrangeira por empresas brasileiras ficou para trás. Já Serra afirmou que o Bacen foi modesto” em sua atuação no câmbio em 2020, como deveria ser, e que suas intervenções nunca tiveram como foco a política monetária. (Com Reuters)

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