Ibovespa abre em queda após dados de inflação e confiança do consumidor

O dólar avança ante o real em dia de aversão a riscos no exterior.

Iasmin Paiva
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O Ibovespa opera em queda na abertura do pregão de hoje (24), perdendo 1,17%, a 112.724 pontos perto das 10h13, horário de Brasília. O índice brasileiro acompanha os mercados globais, com preocupações diante das dívidas da incorporadora Evergrande, que impactam negativamente as Bolsas em todo mundo nesta sexta-feira. No contexto doméstico, o cenário político continua no radar dos investidores, além do anúncio de dados econômicos do país, como o IPCA-15 e o Índice de Confiança do Consumidor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Considerado a prévia da inflação oficial do Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), subiu 1,14% em setembro, sobre alta de 0,89% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Resultado veio acima de pesquisa da agência Reuters com economistas estimava alta de 1,02% para o período.

Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, conta que o resultado confirma sua leitura de inflação elevada no curto prazo, pressionada tanto pelos repasses em curso dos elevados custos de produção quanto pelo efeito da aceleração dos preços dos serviços. “Em 2022, nossa equipe projeta alta de 3,7% no IPCA, efeito da política monetária contracionista e recuo de preços de commodities que projetamos.”

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Além disso, o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV, também divulgado nesta sexta-feira, teve queda de 6,5 pontos neste mês, a 75,3 pontos, mínima desde abril de 2021 (72,1 pontos). Segundo a fundação, o recuo foi provocado por temores inflacionários, risco de crise energética e crescentes incertezas econômicas e políticas.

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Em Brasília, a PEC dos Precatórios e a Reforma do Imposto de Renda seguem no centro dos debates, como aprovações importantes para a viabilidade do Auxílio Brasil, o programa de transferência de renda projetado pelo governo Bolsonaro. Enquanto isso, o ONS (Operador Nacional de Energia Elétrica) afirmou que não há risco de racionamento até o fim deste ano, mas reforçou que haverá um período crítico entre outubro e novembro.

O dólar avança frente ao real em meio a temores globais sobre a incorporadora Evergrande. Às 10h14, o dólar era negociado em alta de 0,65%, a R$ 5,3433.

No mercado internacional, as Bolsas operam com mau humor, após a incorporadora chinesa Evergrande passar pelo prazo de ontem (23), quando deveria realizar o pagamento de US$ 83,5 milhões em juros de um título em dólar, sem se pronunciar.

Os detentores de títulos não foram pagos nem receberam nenhuma informação da empresa, disseram à agência Reuters duas pessoas familiarizadas com a situação. A Evergrande tem um período de carência de 30 dias para o pagamento. Após esse prazo, será considerado que companhia deu calote aos seus credores.

Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, conta que “isso traz um sinal de alerta dos investidores com a situação dessa companhia que sabemos que é bem relevante para a economia asiática”.

O mercado norte-americano aponta para abertura em queda, com investidores avaliando o impacto de uma possível queda da Evergrande em Wall Street.

Além disso, as tensões entre democratas sobre o Plano de Infraestrutura de US$ 3,5 trilhões de Joe Biden seguem no radar. Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, explica que as fortes divergências entre as alas do partido ameaçam o acordo sobre a agenda de Biden como um todo, e podem levar a atrasos na aprovação do pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão.

As ações europeias operam em queda nesta manhã, também devido à preocupação com o impacto do caso Evergrande no restante do mundo. O Stoxx 600 cai 0,98%; o CAC 40 desvaloriza 1,06% na França; enquanto na Itália, o FTSE MIB é negociado em baixa de 0,40%; e no Reino Unido, o FTSE 100 recua 0,40%.

Na Alemanha, por sua vez, o DAX recua 0,74%, às vésperas das eleições no país, que ocorrem no próximo domingo (26).

As Bolsas asiáticas fecharam o último pregão da semana sem direção definida, enquanto o caso da incorporadora chinesa endividada também impacta o medo na região. O índice Shanghai, da China, caiu 0,80% no dia; o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,30%; o BSE Sensex, de Mumbai, fechou em alta de 0,27%; enquanto, no Japão, o índice Nikkei avançou 2,06%, após se manter fechado devido ao feriado na véspera.

Além disso, o Banco Central da China tornou todas as transações com criptomoedas no país ilegais, em mais uma medida de regulação do mercado de capitais chinês que tem impactado as empresas do país e seguem no radar dos investidores globais.

Os contratos futuros de referência do minério de ferro da China avançaram nesta sexta-feira, seguindo ganhos no mercado “spot”, embora a demanda pelo ingrediente siderúrgico deva permanecer calma em meio a restrições ambientais. Os contratos futuros de minério de ferro mais negociados na Bolsa de Commodity de Dalian, para entrega em janeiro, subiram até 4,2%, para 696 iuanes (US$ 107,74) por tonelada na sessão da manhã, e fecharam com alta de 2,5% na sexta-feira, avançando 8,8% nesta semana.

Os preços do petróleo operam em XX nesta sexta-feira, apoiados por interrupções na produção global e nos estoques. Por volta das 10h00, os futuros do petróleo Brent recuavam 0,17%, para negociação a US$ 77,12 por barril, enquanto o petróleo WTI era negociado a US$ 72,95, baixa de 0,48%. (com Reuters)

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