Pandora Papers aponta suposta ligação de lideranças mundiais com paraísos fiscais

O consórcio investigativo afirmou que os arquivos estão ligados a cerca de 35 líderes nacionais atuais e antigos.

Redação
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REUTERS/Aris Martinez
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O consórcio investigativo afirmou que os arquivos estão ligados a cerca de 35 líderes nacionais atuais e antigos

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Um vazamento de documentos financeiros publicados por várias organizações de notícias no domingo supostamente ligam líderes e autoridades de todo o mundo a riquezas acumuladas em paraísos fiscais. Entre os nomes, estão: o rei Abdullah da Jordânia; o primeiro-ministro tcheco Andrej Babis; associados do presidente russo Vladimir Putin; o ministro da Economia, Paulo Guedes; e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Totalizando mais de 11,9 milhões de registros, que representam cerca de 2,94 terabytes de dados, os papéis surgem cinco anos após o vazamento conhecido com “Panamá Papers” expor como o dinheiro era ocultado pelos ricos de maneiras que as agências reguladoras não conseguiam detectar.

O ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede de repórteres e organizações de mídia sediada em Washington, afirmou que os arquivos estão ligados a cerca de 35 líderes nacionais atuais e antigos, e mais de 330 políticos e autoridades públicas de 91 países e territórios.

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A entidade não disse como os arquivos foram obtidos, e a Reuters não conseguiu verificar de forma independente as alegações ou os documentos detalhados pelo consórcio.

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Em nota, o Ministério da Economia afirmou que toda a atuação e Guedes no setor privado antes de assumir a pasta foi declarada à Receita Federal, à Comissão de Ética Pública e aos demais órgãos competentes.

“Sua atuação sempre respeitou a legislação aplicável e se pautou pela ética e pela responsabilidade”, disse o ministério em nota à imprensa.

“Desde que assumiu o cargo de ministro da Economia, Paulo Guedes se desvinculou de toda a sua atuação no mercado privado, nos termos exigidos pela Comissão de Ética Pública, respeitando integralmente a legislação aplicada aos servidores públicos e ocupantes de cargos em comissão.”

Campos Neto, por sua vez, disse em nota distribuída pela assessoria de imprensa do Banco Central que as empresas apontadas na investigação jornalística foram constituídas há mais de 14 anos e que o patrimônio foi declarado à Receita, à Comissão de Ética Pública e ao BC com recolhimento da tributação devida.

“Não houve nenhuma remessa de recursos às empresas após minha nomeação para função pública. Desde então, por questões de compliance, não participo da gestão ou faço investimentos com recursos das empresas. Por exigência legal, todas essas informações foram prestadas também ao Senado Federal”, disse Campos Neto.

O rei jordaniano Abdullah, um aliado próximo dos Estados Unidos, supostamente usou contas em paraísos fiscais para gastar mais de 100 milhões de dólares em residências de luxo nos EUA e no Reino Unido.

“Não é segredo que Sua Majestade possui vários apartamentos e residências nos Estados Unidos e no Reino Unido. Isto não é incomum nem impróprio”, disse o palácio real jordaniano em um comunicado.

O jornal Washington Post, que é parte do consórcio, também noticiou o caso de Svetlana Krivonogikh, uma russa que disse ter se tornado proprietária de um apartamento em Mônaco através de uma empresa de um paraíso fiscal incorporada na ilha caribenha de Tortola em abril de 2003, poucas semanas depois de dar à luz uma menina.

À época, ela estava em um relacionamento secreto de anos de duração com Putin, disse o jornal, citando o veículo investigativo russo Proekt. Ainda segundo o Post, Krivonogikh, sua filha e o Kremlin não responderam a pedidos de comentário.

Dias antes da eleição parlamentar de 8 e 9 de outubro da República Tcheca, os documentos supostamente ligaram o premiê do país a uma propriedade secreta de 22 milhões de dólares em um vilarejo montanhoso próximo de Cannes, na França.

Em um debate televisionado ontem (3), Babis negou qualquer irregularidade. “O dinheiro saiu de um banco tcheco, foi taxado, era meu dinheiro, e voltou a um banco tcheco”, afirmou.

Os documentos também mostraram como o empresário indiano Anil Ambani e seus representantes adquiriram ao menos 18 empresas em paraísos fiscais em Jersey, nas Ilhas Virgens Britânicas e no Chipre, de acordo com o Indian Express, que integra o ICIJ. Ambani não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters. (com Reuters)

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