Petrobras avalia impacto de invasão à Ucrânia para petróleo antes de ajustar preços

Cenário de volatilidade interfere com os reajustes, medida já impopular na sociedade e no meio político.

Reuters
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Adriano Machado/Reuters
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Desvalorização do dólar frente ao real tem permitido que a Petrobras mantenha os valores médios de gasolina e diesel inalterados.

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O CEO da Petrobras, Joaquim Luna e Silva, afirmou hoje (24) que a empresa está acompanha a alta nos preços do petróleo “minuto a minuto” para tomar qualquer decisão sobre os preços. Após a Rússia invadir a u Ucrânia, o preço do Brent superou a marca dos US$ 100 (R$ 515,20).

O cenário ainda é de muita incerteza e volatilidade para uma definição de eventuais reajustes, segundo ele – uma medida sempre impopular na sociedade e no meio político.

“Estamos vivendo um momento de pico de volatilidade e de extrema incerteza. Nesse cenário, vamos continuar observando minuto a minuto”, declarou Luna.

O barril do petróleo vem subindo desde o começo do ano, mas o câmbio tem compensado parte da pressão do petróleo para a política de PPI (Paridade de Preços Internacionais) da Petrobras. É apenas uma das formas que o conflito entre Rússia e Ucrânia afeta a economia brasileira.

O petróleo Brent atingiu hoje o valor mais alto desde 2014, subindo cerca de 7% para quase US$ 104 (R$ 535,81) por volta de 13h (horário de Brasília), o que levou a alta no acumulado no ano a ultrapassar os 30%.

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Enquanto isso, o dólar saltou 2,89%, vendido a R$ 5,1482 às 15h40 (horário de Brasília). A moeda vinha sofrendo uma série ininterrupta de quedas, chegando a R$ 5,0033 na véspera (menor valor desde 30 de junho de 2021). No ano, ainda registra recuo total de 8%.

Os comentários de Luna ecoaram falas de executivos em teleconferência de resultados da companhia, quando eles detalharam o lucro recorde de 2021 de mais de R$ 100 bilhões.

O diretor-executivo de Comercialização e Logística da Petrobras, Cláudio Mastella, disse que a empresa avaliará os impactos da alta volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, antes de tomar qualquer decisão sobre os preços.

“Não tenho uma resposta fácil nem simples neste momento, o fato é que devemos continuar observando o mercado por mais algum tempo e observando em paralelo a evolução do câmbio no Brasil”, disse o executivo.

Ele comentou que uma desvalorização do dólar frente ao real tem permitido que a empresa mantenha, desde 12 de janeiro, os valores médios de gasolina e diesel inalterados em suas refinarias, apesar de um avanço das cotações do barril do petróleo no exterior.

“Em função de diversas tensões geopolíticas, temos observado elevação dos preços [do petróleo] nas ultimas semanas e, em paralelo, o dólar foi desvalorizando. Com esses dois movimentos, em contraposição, conseguimos manter nossos preços”, afirmou.

“Os acontecimentos mais recentes trouxeram uma volatilidade muito mais elevada para os mercados, que ainda estamos observando”, ponderou.

Mastella frisou ainda que a empresa segue praticando preços que julga competitivos e em equilíbrio com o mercado internacional, mas evitando repassar volatilidades.

“Esse equilíbrio entre preço interno e preço internacional é o que garante atendimento a mercado interno em bases econômicas, sem risco de desabastecimento, pelos diversos atores”, frisou.

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