Binance, Sequoia e Larry Ellison se juntam a Musk para comprar o Twitter

Novos investidores arcarão com US$ 7,1 bilhões dos US$ 44 bilhões oferecidos pelo CEO da Tesla.

Abram Brown
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SOPA Images/Getty Images
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Aportes reduzirão a pressão sobre a fortuna pessoal de Musk, que servirá como garantia de empréstimos feitos pelo bilionário para levantar fundos

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Mais de uma dúzia de novos investidores se juntaram a Elon Musk e participarão da proposta de US$ 44 bilhões (R$ 215,6 bilhões) do bilionário para comprar o Twitter. O grupo inclui o fundador da Oracle, Larry Ellison, o príncipe Alwaleed, da Arábia Saudita, e a Binance, a exchange chinesa de criptomoedas.

Um novo documento apresentado à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) mostra que o grupo contribuirá com US$ 7,1 bilhões (R$ 34,7 bilhões), reduzindo assim a pressão sobre a fortuna pessoal de Musk, que segue sendo a fonte principal dos recursos e funcionando como garantia de financiamentos obtidos pelo CEO da Tesla.

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Musk continua negociando com Jack Dorsey, o cofundador do Twitter que deixou o cargo de CEO da plataforma no fim de novembro do ano passado (ele atualmente é membro do conselho da companhia). Dorsey expressou apoio público à aquisição de Musk, embora a operação possa mudar radicalmente a direção da empresa que foi definida pelo próprio Dorsey quando era CEO.

Outras empresas e pessoas ​​que passaram a integrar a proposta são: as firmas de capital de risco Andreessen Horowitz e Draper Fisher Jurvetson, o fundo de venture capital Sequoia, a Fidelity, o fundo de investimentos canadense Brookfield e o fundo soberano do Qatar.

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“Embora o Twitter tenha muito potencial como uma ‘praça pública’, ele sofre de uma miríade de problemas difíceis, desde bots a abuso e censura. Ser uma empresa pública dependente apenas de publicidade exacerba tudo isso”, escreveu Ben Horowitz, da Andreessen Horowitz, no Twitter. “Elon é a única pessoa que conhecemos e talvez a única pessoa no mundo que tem coragem e habilidade para consertar tudo isso.”

Ellison, da Oracle, fará o maior aporte entre os novos investidores: US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões). Em seguida vem a empresa de capital de risco VyCapital, que investirá US$ 700 milhões (R$ 3,4 bilhões); e a Binance, com US$ 500 milhões (R$ 2,4 bilhões).

O príncipe Alwaleed, que inicialmente se opôs à proposta de US$ 54,20 (R$ 265,5) por ação, transferirá suas 35 milhões de ações do Twitter para a aquisição de Musk. A participação vale cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,3 bilhões) no preço atual das ações.

Em pouco mais de um mês, Musk comprou uma participação de 9,2% no Twitter, fez uma oferta não solicitada pela empresa e teve sua proposta aprovada pelo conselho.

Os planos de Musk para o Twitter permanecem obscuros, apesar de ele ter dito que gostaria que a plataforma fosse vista como politicamente neutra e permitisse mais liberdade de expressão. Como muitas outras empresas de mídia social, o Twitter é alvo de críticas de liberais, que dizem que a rede social faz muito pouco para combater conteúdo ruim, e também de conservadores, que dizem que há controles demais sobre o que é publicado.

Os acionistas votarão se aceitam ou não a proposta de Musk nas próximas semanas. A companhia espera que o negócio seja concluído até o final deste ano.

Quando Musk detalhou pela primeira vez o financiamento da sua oferta, ele disse que planejava usar US$ 12,5 bilhões (R$ 61,2 bilhões) que seriam obtidos por meio de um financiamento garantido por suas ações da Tesla. A maior parte da fortuna do bilionário vem de papéis da fabricante de carros elétricos – ele tem poucos ativos líquidos.

Agora, Musk planeja financiar apenas US$ 6,25 bilhões (R$ 30,6 bilhões) e usar aportes dos novos investidores para cobrir a diferença.

Qualquer coisa para reduzir o tamanho do financiamento é bom para Musk. Isso vai lhe poupar dezenas de milhões de dólares. Pode parecer uma ninharia para um multi-bilionário, mas lembre-se, ele tem pouco dinheiro vivo.

A novidade também é boa para os acionistas da Tesla. Se algo desse errado com as ações da companhia e elas começassem a cair, Musk poderia se ver obrigado a vender os papéis para reduzir suas perdas – piorando ainda mais a situação – e assim garantir sua participação no Twitter.

“Esta foi uma jogada inteligente de Musk do ponto de vista financeiro e estratégico. Ela será bem recebida em todos os setores e também mostra que o acordo com o Twitter está agora em um bom caminho para ser concluído até o final deste ano”, diz Dan Ives, analista da Wedbush que acompanha os resultados da Tesla.

Então, aqui está a conta: US$ 13 bilhões (R$ 63,7 bilhões) em empréstimos de compra alavancada que vão para os livros do Twitter; US$ 6,25 bilhões (R$ 30,6 bilhões) de um empréstimo garantido pelas ações da Tesla; US$ 7,1 bilhões (R$ 34,7 bilhões) de Ellison e dos demais coinvestidores; e US$ 21,5 bilhões (R$ 105,3 bilhões) em dinheiro.

A parte a ser paga em dinheiro sairá dos bolsos de Musk. Recentemente, ele vendeu cerca de US$ 8 bilhões (R$ 39,2 bilhões) de ações da Tesla para levantar a quantia, o que tem pesado sobre os preços dos papéis.

O bilionário afirmou que não planeja fazer novas vendas. Claro, ele poderia mudar de ideia. Mas, considerando os comentários no último documento da SEC, incluindo a parte sobre Dorsey, parece que Musk espera reduzir o valor em dinheiro atraindo mais investidores.

Às 13h06, as ações operavam em alta de 3,42% e eram negociadas a US$ 50,77 (R$ 248,7), patamar ainda longe dos US$ 54,20 (R$ 265,5) por ação oferecidos por Musk.

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