Com a eventual estreia da SpaceX na bolsa de valores, Elon Musk pode deixar a lista de bilionários. Após o evento, o empresário pode passar a integrar a lista de trilionários – que no momento atual terá apenas o seu nome. Se concretizado, este marco tornaria a fortuna do empresário superior ao Produto Interno Bruto de 90% dos países do globo.
A fortuna de Elon Musk é de atuais US$ 800 bilhões (R$ 4 trilhões no câmbio atual), o que dá uma ampla vantagem ante o segundo colocado da lista de pessoas mais ricas do mundo da Forbes. Com ampla vantagem, leia-se praticamente US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões), visto que Larry Page tem patrimônio avaliado em US$ 315 bilhões (R$ 1,575 trilhão).
No entanto, com o IPO da SpaceX essa vantagem pode se alargar ainda mais. Após a abertura de capital, as ações da companhia passariam a ser negociadas publicamente e o mercado atribuiria um valor bilionário à participação de Musk.
A companhia protocolou recentemente seu pedido de listagem na bolsa de valores junto à SEC, dando os primeiros passos para o que deve vir a ser o maior IPO da história.
Desde a fusão com a xAI, em fevereiro deste ano, a SpaceX se agigantou ainda mais. O valuation aceito pelos investidores é de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,25 trilhões) após a combinação de negócios. Não é um número auditado e nem validado por uma consultoria externa, e quando a companhia for levada ao escrutínio do mercado e dos futuros acionistas, pode variar.
No entanto, é um número com base nas negociações privadas no mercado secundário, nos preços pago por investidores recentes, nos termos do acordo “stock-for-stock” da fusão.
A expectativa do IPO é que esse valuation aumente, ficando entre US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões) a US$ 2 trilhão (R$ 10 trilhões).
Fatia de Musk na SpaceX supera US$ 500 bilhões
A participação de Elon Musk na SpaceX ainda não é pública e ficou de fora do documento protocolado na SEC. Entretanto, em várias páginas do prospecto consta que o empresário é o controlador e dono da maior fatia societária.
A apuração da Forbes cita que a sua fatia ficou em 43% após a fusão feita em fevereiro. Ou seja, sua participação societária equivale a cerca de US$ 537 bilhões (R$ 2,685 trilhões).
Assim, quando a SpaceX for à bolsa, sua fortuna pode crescer e torná-lo o primeiro trilionário da história da humanidade.
Nos dias atuais, apenas 19 países do globo possuem PIB acima de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões), segundo dados do Banco Mundial.
Dentre eles, estão nações como Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Brasil.
Todavia, abaixo desse panteão estão nações como Suíça, Bélgica, Argentina, Suécia, Emirados Árabes Unidos e Israel. Todas possuem PIB abaixo de US$ 1 trilhão.
Aliás, o patrimônio pessoal de Musk, caso alcance US$ 1 trilhão, passaria a representar 3,5% do PIB dos Estados Unidos – que fica na casa dos US$ 28,7 trilhões atualmente (R$ 143,5 trilhões).
Com sua fortuna atual, de US$ 800 bilhões (R$ 4 trilhões), Musk já tem patrimônio superior a 173 dos 195 países do mundo – ou 88% das nações do globo.
Elon Musk é a pessoa mais rica da história da humanidade?
A discussão ainda é palco de debates, mas, provavelmente, sim.
Algumas metodologias já apontaram John D. Rockefeller como a pessoa mais rica da história da humanidade.
Se ajustado à inflação (pelo CPI), trazendo sua fortuna de US$ 1,4 bilhão (R$ 7 bilhões) a valores de hoje, a fortuna de Rockefeller ficaria entre US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) e US$ 30 bilhões (R$ 150 bilhões).
Contudo, um estudo de Harvard propôs outra metodologia. Nesse caso, os pesquisadores Tom Nicholas e Vasiliki Fouka destacam que o empresário possuía uma fortuna equivalente a 1,5% do PIB dos EUA à época.
Corrigindo a fortuna pela proporção do PIB, Rockefeller possuiria algo em torno de US$ 430,5 bilhões (R$ 2,1525 trilhões) de patrimônio nos dias de hoje – o que o colocaria como 2º colocado na lista da Forbes, à frente dos bilionários do Google e de Jeff Bezos, mas ainda atrás de Elon Musk.
Como será o IPO da SpaceX
A previsão é de que a SpaceX passe a ter suas ações negociadas na bolsa de valores em junho deste ano.
A companhia desenvolve foguetes e espaçonaves, realiza lançamentos e transporte orbital. Além disso, a tecnologia de internet via satélite da Starlink também fica sob o guarda-chuva da companhia. A empresa desenvolve, ainda, projetos de exploração espacial com a nave Starship.
A empresa pretende listar suas ações Classe A na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o ticker “SPCX”.
O prospecto mostra que a SpaceX manterá uma estrutura de ações com supervoto: ações Classe A terão um voto por papel, enquanto as ações Classe B terão 10 votos por ação, garantindo o controle da empresa a Elon Musk mesmo após a abertura de capital.
A Nasdaq classificará a SpaceX como “controlled company”, segundo o prospecto.
O prospecto ainda deixa em branco informações como faixa indicativa de preço, quantidade de ações ofertadas e tamanho total da operação, o que indica que esses detalhes ainda serão definidos junto aos bancos coordenadores da oferta nas próximas semanas.
O prospecto mostra uma empresa muito diferente da SpaceX tradicionalmente conhecida apenas pelos foguetes. Hoje, a companhia opera três grandes frentes de negócio: espaço, conectividade e inteligência artificial.
Na divisão espacial, a empresa afirma já ter realizado cerca de 650 lançamentos orbitais e lançado mais de 80% da massa enviada ao espaço no mundo desde 2023, com taxa de sucesso superior a 99% nos foguetes Falcon.
Já a Starlink se tornou um dos principais motores financeiros da companhia, com aproximadamente 9,6 mil satélites em órbita, 10,3 milhões de assinantes e operação em 164 países.
Como IA se tornou relevante dentro da companhia
A incorporação da xAI transformou oficialmente a inteligência artificial em um dos pilares centrais da empresa. O prospecto afirma que a companhia opera infraestrutura de IA em escala gigawatt.
Nesse contexto, o X — antigo Twitter — aparece como peça estratégica do ecossistema, funcionando como fonte de dados em tempo real e plataforma de distribuição para os produtos de IA.
Ao mesmo tempo, a empresa também detalha planos ambiciosos de criar data centers orbitais alimentados por energia solar no espaço a partir de 2028, utilizando satélites dedicados para computação em órbita.
O Raio-X financeiro
Financeiramente, a SpaceX chega ao IPO exibindo crescimento acelerado, mas ainda com forte consumo de capital.
Em 2025, a empresa reportou receita consolidada de US$ 18,67 bilhões (R$ 93,35 bilhões) e EBITDA ajustado de US$ 6,58 bilhões (R$ 32,9 bilhões).
Apesar disso, registrou prejuízo operacional de US$ 2,59 bilhões (R$ 12,95 bilhões) devido aos investimentos pesados em Starship, IA e infraestrutura computacional.
O segmento de conectividade, liderado pela Starlink, já é altamente lucrativo e responde pela maior parte da geração operacional de caixa do grupo.
O IPO da empresa de Elon Musk será coordenado por bancos como Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan Chase e Citigroup.