Dólar fecha na máxima em 6 meses e fica a 1,4% de zerar perdas do ano

Com a valorização desta quinta, basta um aumento de 1,40% para o dólar zerar as perdas de 2022

Reuters
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Dado Ruvic/Reuters

O dólar à vista subiu 0,66%, para R$ 5,4966

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O dólar fechou numa nova máxima em seis meses hoje (21), chegando a superar a barreira psicológica dos R$ 5,50, em meio à exibição de força da moeda norte-americana sobretudo em relação a pares emergentes, que têm sentido a pressão do aperto monetário em economias centrais.

O dólar à vista subiu 0,66%, para R$ 5,4966, maior valor desde 24 de janeiro (R$ 5,5070).

Na máxima do dia, a cotação foi a R$ 5,5160, alta de 1,02%. Espelhando o vaivém, recuou 0,56% na mínima, para R$ 5,4297.

Com a valorização desta quinta, basta um aumento de 1,40% para o dólar zerar as perdas de 2022. Em 4 de abril, quando estava em R$ 4,6075, a divisa chegou a acumular queda de 17,33% no ano.

Desde então, disparou 19,30%, o que deixa o real com desvalorização alinhada à vista em moedas como peso colombiano, peso chileno, lira turca e rand sul-africano, alguns dos pares mais próximos da moeda brasileira. No mesmo intervalo, o dólar subiu 7,7% ante uma cesta de rivais de mercados desenvolvidos.

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Os mercados emergentes em bloco têm sentido o baque do aperto monetário em economias como Estados Unidos, Reino Unido e, agora depois de 11 anos, zona do euro. Por isso, estão também em processo de elevação dos juros –África do Sul, México e Chile, por exemplo.

O Brasil, por outro lado, caminha para o fim do ciclo, o que pode deixar o real mais vulnerável.

“Sem dúvida a concorrência para o real aumenta”, disse o gestor de um hedge fund em Nova York.

Embora concorde que o dólar possa estar “taticamente” em posição de venda contra o real –depois do rali recente e levando-se em conta os fundamentos externos do Brasil–, o profissional se mostra cético com uma recuperação sustentada da taxa de câmbio.

“Outros países estão com juros em alta e com problemas parecidos com os do Brasil, mas em magnitude menor, como a inflação. Ou seja, o retorno real deles é maior”, disse o gestor.

Para ele, o risco político está na conta, mas ainda pode haver mais por vir. “O ambiente está polarizado e os riscos político-fiscais estão na conta, mas sabemos o histórico de impacto de ano eleitoral sobre a taxa de câmbio, então honestamente acho que essa aversão a risco tende a piorar.”

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