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Cenários
As bolsas europeias e os contratos futuros de índices acionários dos Estados Unidos operam em queda na manhã desta terça-feira 93), após a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduzir suas projeções de crescimento para as economias desenvolvidas para 2,9% em 2025 ante os 3,1% previstos anteriormente. O ajuste nas estimativas, anunciado no início do dia, reflete o aumento da incerteza econômica global provocada pela política comercial imprevisível do presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo o relatório da OCDE, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos deverá crescer 1,6% neste ano, bem menos do que os 2,2% previstos anteriormente, devido aos impactos negativos gerados pelas sucessivas ameaças e imposições de tarifas sobre países parceiros, especialmente China e União Europeia. O organismo internacional também cortou as expectativas de expansão para outras economias avançadas, como Alemanha, Japão e Reino Unido, citando a desaceleração do comércio mundial e o ambiente de negócios deteriorado pela instabilidade política e econômica.
A política comercial agressiva de Trump, baseada em tarifas protecionistas e negociações bilaterais tensas, tem alimentado o temor de uma guerra comercial prolongada, o que afeta diretamente os fluxos globais de comércio e investimento. “O aumento das barreiras tarifárias e a incerteza quanto à política comercial estão prejudicando a confiança empresarial e os investimentos, comprometendo o crescimento econômico mundial”, afirmou a OCDE em seu comunicado.
O reflexo imediato desse cenário é a queda generalizada nos principais índices acionários europeus, como o DAX de Frankfurt e o CAC 40 de Paris, que operam com perdas superiores a 1% nesta manhã. Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também recuam, sinalizando uma abertura negativa em Wall Street. Investidores demonstram cautela diante da perspectiva de um crescimento global mais fraco e de riscos geopolíticos persistentes.
A desaceleração das economias centrais tem efeitos diretos sobre o Brasil. O enfraquecimento da demanda internacional, especialmente da China e de nações europeias, reduz as perspectivas de exportações brasileiras, que têm nas commodities o principal componente de sua pauta comercial. Produtos como soja, minério de ferro, petróleo e celulose — responsáveis por grande parte das receitas externas do país — tendem a enfrentar preços mais baixos e volumes reduzidos, caso o comércio global continue a perder fôlego.
Além disso, a aversão ao risco reduz o fluxo de capital para os países emergentes, pressionando o câmbio e a inflação. Isso prejudica o crescimento econômico, que já enfrenta desafios internos relacionados à inflação, juros altos e instabilidade fiscal.
Perspectivas
Por ora, os mercados seguem atentos a novos desdobramentos na política comercial dos Estados Unidos e aguardam sinais mais claros sobre as perspectivas de crescimento global. A OCDE, no entanto, alertou que a continuidade das políticas protecionistas poderá aprofundar ainda mais a desaceleração, com efeitos duradouros sobre o comércio e o emprego em todo o mundo.
Indicadores
- Brasil
Produção Industrial (Abr)
Esperado: + 0,1%
Anterior: + 1,2%
Produção Industrial (12m)
Esperado: + 0,2%
Anterior: + 3,1%
- Estados Unidos
Oferta de emprego JOLTs (Abr)
Esperado: 7,110 milhões
Anterior: 7,192 milhões