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‘Emergência Nacional’: Trump Assina Ordem para Tarifar Brasil em 50%, Mas Inclui Exceções

Governo americano afirma que nova taxa é uma resposta a diversas iniciativas brasileiras que ameaçam os EUA e é uma "emergência nacional"

6 min

“Enfrentando uma emergência nacional”. É assim que a Casa Branca abriu o texto em que afirma que o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que impõe aos produtos brasileiros uma tarifa de 50% soma da taxa já estabelecida de 10% em abril com os 40% que o presidente americano ameaçou acrescentar no início de julho. Na publicação, o governo dos Estados Unidos afirma que isso é uma resposta a “políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA.”

O texto defende que Trump tem lutado pela liberdade de expressão, para proteger as empresas americanas da “censura coercitiva ilegal” e “responsabilizando os violadores de direitos humanos por seu comportamento ilegal” em menção indireta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que foi sancionado pelo país nesta quarta e as tentativas brasileiras de regulamentar as big techs americanas.

A publicação da ordem executiva aponta que o tarifaço terá suas exceções. Entre as principais estão: suco de laranja, aviões e petróleo. Os três lideram a pauta exportadora do Brasil e preocupavam o governo brasileiro em meio à ameaça tarifária, tanto que estavam entre as prioridades na negociação com os Estados Unidos. O próprio presidente da Embraer já havia manifestado preocupação sobre a viabilidade dos negócios sem um acordo que abarcasse o item.

Entre alguns outros itens poupados estão celulose, carvão, castanhas de origem brasileira, veículos de passageiros e peças específicas, fertilizantes, produtos agrícolas e de madeira, metais e minerais específicos, além do aço e subprodutos. No entanto, vale lembrar, que este último já é tarifado em 50%.

Alegações

Em junho deste ano, o STF definiu que as redes sociais são responsáveis pelas postagens dos usuários. Com isso, elas passaram ter um grau mais alto de responsabilização sobre conteúdos que violem as leis brasileiras. Nos casos mais graves como racismo, terrorismo e divulgação de pornografia infantil as redes sociais passam a ter que remover esses conteúdo, mesmo sem ordem judicial. Caso isso não ocorra, elas responderão na esfera civil. Anteriormente, Moraes já havia suspendido o X por não ter representante no Brasil.

A medida também cita os processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro: “a Ordem considera que a perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivados pelo Governo do Brasil contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores são graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil”.

Esses e outros episódios foram apontados no comunicado da Casa Branca como:

“Medidas sem precedentes para coagir, de forma tirânica e arbitrária, empresas americanas a censurar discursos políticos, remover usuários da plataforma, entregar dados sensíveis de usuários americanos ou alterar suas políticas de moderação de conteúdo, sob pena de multas extraordinárias, processos criminais, congelamento de ativos ou exclusão completa do mercado brasileiro”.

Implicitamente, a publicação também critica as decisões de Moraes, dentre elas a que notificou Paulo Figueiredo em denúncia de trama golpista.

“Moraes está atualmente supervisionando o processo criminal do Governo Brasileiro contra Paulo Figueiredo, um residente dos EUA, por discursos que ele fez em solo americano, e tem apoiado investigações criminais contra outros cidadãos dos EUA depois que eles expuseram suas graves violações de direitos humanos e corrupção.”

“America first”

O comunicado ainda ressalta as medidas do governo americano contra o brasileiro. Dentre elas, a decisão do Secretário de Governo dos EUA, Marco Rubio, de restringir vistos a “estrangeiros responsáveis pela censura da liberdade de expressão, protegida nos Estados Unidos”.

A nova política resultou em julho na suspensão de vistos de Moraes e outros sete ministros do STF, além do procurador-geral, Paulo Gonet.

Disputas comerciais

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