Bom dia. Estamos na terça-feira, 22 de julho.
Cenários
O mercado financeiro acompanha com atenção as declarações de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano, agendadas para a manhã desta terça-feira (22). Os investidores aguardam sinais sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos após um segundo trimestre marcado por indicadores mistos de atividade econômica e de inflação.
Os números não são conclusivos sobre se a economia americana está ou não desacelerando. O Produto Interno Bruto (PIB) americano teve alta anualizada de 1,3% no segundo trimestre. O resultado veio abaixo da expansão de 1,7% observada na estimativa preliminar, refletindo uma revisão para baixo nos gastos das famílias e nos investimentos das empresas. O consumo das famílias cresceu 1,5% no 2T25, ritmo inferior aos 2,2% registrados no 1T25.
No mercado de trabalho, o nível de emprego não agrícola (“non farm payroll”) de junho apontou a criação de 168 mil vagas, abaixo da média de 195 mil vagas abertas por mês observada em abril e maio. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1%. Os ganhos salariais médios por hora subiram 0,3% no mês, acumulando alta de 1,0% no trimestre. Os dados reforçaram a leitura de desaceleração gradual na geração de empregos.
A inflação ao consumidor (Consumer Price Index, CPI) subiu 0,1% em junho, encerrando o segundo trimestre com variação acumulada de 0,5%. Em abril e maio, os avanços mensais foram de 0,2%. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, teve alta de 0,2% em junho e de 0,6% no trimestre. No atacado, o índice de preços ao produtor (PPI) recuou 0,1% em junho, com variação acumulada de 0,3% no trimestre.
Os dados de inflação divulgados no 2T25 reforçaram as projeções de que o processo de desinflação está em curso. O índice Personal Consumption Expenditure (PCE), medida de inflação preferida do FED, subiu 0,1% em maio, dado mais recente disponível. A variação trimestral acumulada entre março e maio foi de 0,6%. O núcleo do PCE, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e de energia, avançou 0,2% em maio e 0,7% no trimestre.
O setor industrial continuou mostrando uma desaceleração na atividade. O índice de produção industrial caiu 0,2% em junho, após recuos de 0,1% em abril e estabilidade em maio. O índice ISM da indústria recuou de 50,2 pontos em abril para 48,9 pontos em junho, sinalizando contração da atividade manufatureira. O ISM de serviços ficou em 50,7 pontos no fechamento de junho, praticamente estável em relação ao mês anterior.
No mercado de juros, os rendimentos dos títulos do Tesouro de dois anos oscilaram entre 4,55% e 4,85% durante o segundo trimestre. Os Fed funds futuros passaram a precificar maior probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, com apostas majoritárias consolidadas após a divulgação do CPI de junho. Os investidores aguardam agora os próximos dados de inflação, especialmente o PCE de junho, que será divulgado no dia 31 de julho.
Na reunião de junho do Federal Open Market Committee (Fomc), versão americana do Copom, foi mantida a taxa básica de juros na faixa entre 4,25% e 4,50%. O comunicado indicou que o Comitê precisa de mais evidências de convergência sustentada da inflação à meta de 2%. A ata divulgada em julho mostrou divisão entre os membros do Fomc, com parte dos membros defendendo manter os juros inalterados por mais tempo.
Perspectivas
As declarações de Powell nesta manhã são aguardadas em busca de esclarecimentos sobre o diagnóstico do FED em relação à perda de dinamismo da economia observada nos últimos dados. O foco está no equilíbrio entre os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho e da atividade com a continuidade da queda da inflação, que ainda se mantém acima da meta oficial.
O dólar operava estável frente às principais moedas na abertura dos mercados, enquanto os contratos futuros dos principais índices de ações em Nova York registravam leve alta.
Indicadores
- Brasil
Sem indicadores relevantes
- Estados Unidos
Declarações de Jerome Powell