O diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Alexandre Abreu, informou na quinta-feira (21) que a instituição detém agora 4,4% da Eve Air Mobility, empresa da Embraer que toca o projeto do veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL). O acesso aos papéis vêm após o aporte de R$ 400 milhões pelo BNDES.
O anúncio foi realizado durante a apresentação de resultados do banco, referente ao segundo trimestre. No período, o BNDES teve lucro líquido de R$ 13,3 bilhões no primeiro semestre, estável em relação ao mesmo período de 2024, , em resultado ajudado por operações envolvendo ações da JBS. Em termos recorrentes, o lucro aumentou 2% ano a ano, para R$ 7,3 bilhões.
No segundo trimestre, o banco apresentou lucro total de R$ 7,7 bilhões e um resultado líquido recorrente de R$ 4,6 bilhões. O BNDES citou efeito positivo no segundo trimestre de R$ 901 milhões oriundo de operações com ações da JBS, sendo R$ 267 milhões com a venda de papéis e R$ 634 milhões com a dupla listagem da empresa no Brasil e nos Estados Unidos.
O banco, que em maio vendeu ações da JBS, reduzindo sua fatia a 18%, pretende destinar os recursos auferidos com vendas de participações societárias a novos investimentos em empresas mais ligadas aos setores de tecnologia, inovação e sustentabilidade, disse Abreu.
No final de junho, a carteira de participações societárias do BNDES alcançou R$ 80,3 bilhões, de R$ 87,6 bilhões três meses antes. O banco citou ajuste a valor de mercado negativo de Petrobras (R$6,2 bilhões) e alienação de ações de JBS (R$ 2,5 bilhões), atenuados pela valorização de Copel (R$ 1,3 bilhão).
A carteira de crédito expandida do BNDES totalizou R$ 597,5 bilhões no final da primeira metade do ano, aumento de 13% ano a ano, com o índice de inadimplência de mais de 90 dias ficando em 0,03%, queda de 0,04 ponto percentual (p.p.).
Os desembolsos no primeiro semestre somaram R$ 54,6 bilhões, alta de 11% ante o mesmo período de 2024, enquanto as consultas por financiamento subiram 7%, para R$133,2 bilhões, e as aprovações de empréstimos cresceram 9%, para R$ 72,8 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) do BNDES ficou em 18,8% no primeiro semestre, declínio de 0,8 ponto ano a ano, enquanto o ROE recorrente recuou 0,3 ponto, para 10,3%.
O banco espera que os desembolsos totais aumentem no segundo semestre em relação aos primeiros seis meses do ano, com expectativa de que o apoio do BNDES ao plano de ajuda a empresas afetadas pelas tarifas dos EUA fomente consultas, aprovações e liberações de recursos nos próximos meses.
“Não dá para fazer uma projeção, porque tem um fator muito importante que é o Plano Brasil Soberano. No ano passado, nosso desembolso foi muito afetado pela ajuda ao Rio Grande do Sul“, disse Abreu, sugerindo o banco poderá ter desembolsos acima de R$ 100 bilhões no segundo semestre.
Uma das principais fontes do apoio às empresas será o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que é gerido pelo BNDES. R$ 30 bilhões devem ser direcionados ao Plano Brasil Soberano.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, outras medidas de socorro também estão sendo estudadas pelo governo federal. “Teremos surpresas importantes, nós (do BNDES) vamos além do que será proposto pelo governo”, afirmou.