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Pré-mercado: Ata do Copom Indica Selic Alta por “Período Bastante Prolongado”

Notícias e indicadores que podem influenciar os preços dos ativos nesta terça-feira, 5 de agosto

4 min

Bom dia. Estamos na terça-feira, 5 de agosto.

Cenários

O Banco Central (BC) divulgou na manhã desta terça-feira (5) a Ata da reunião de número 272 do Comitê de Política Monetária (Copom). Em um texto mais curto do que a Ata da reunião anterior, os membros do Comitê divulgaram uma avaliação pessimista das perspectivas para a economia, com atenção especial ao impacto das tarifas comerciais dos Estados Unidos.

“O cenário externo está mais adverso e incerto”, informa o texto. “A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo.”

Como não poderia deixar de ser, isso afeta as expectativas. “A avaliação predominante no Comitê é de que há maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela”, informa a Ata.

Há alguns pontos positivos para a inflação e para os juros. O Comitê notou um arrefecimento no mercado de crédito e nos indicadores de demanda, apesar de o mercado de trabalho seguir bastante aquecido. “[O] s sinais advindos da demanda e da atividade econômica até aqui sugerem que o cenário se desenrola conforme esperado (…) O Comitê reforça que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, informa o texto.

No entanto, há um risco maior, que é a desancoragem das expectativas provocada pela piora da situação fiscal. “O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas (…) e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária”.

Traduzindo: se empresários e investidores não estiverem convencidos de que os juros vão cair, eles vão exigir rentabilidades cada vez maiores para investir. Da mesma forma, se os consumidores não estiverem convencidos de que os juros vão cair, eles vão tomar menos crédito e consumir menos. Tudo isso vai exigir que a Selic suba cada vez mais para fazer efeito, e vai desacelerar mais a economia do que seria necessário.

A conclusão não poderia ser diferente, e vale reproduzir o trecho todo: “enfatizou-se que os vetores inflacionários seguem adversos, como resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de inflação elevadas. Tal cenário prescreve uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Ou seja, não dá para dizer que o Copom não avisou: os juros vão ficar altos por bastante tempo, até que haja sinais de que a inflação vá cair. E o Comitê deixou claro que, se achar necessário, vai elevar a Selic: “o Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.

Perspectivas

Para além da Ata conservadora do Copom, os investidores seguem atentos às repercussões da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor regime de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi divulgada na noite da segunda-feira (4), dois dias antes da entrada em vigor das tarifas comerciais americanas de 50% sobre os produtos brasileiros. Como isso poderá dificultar um acordo ou, no pior cenário, levar a sanções novas, o cenário é pessimista.

Indicadores

  • Brasil

Ata do Copom

PMI Composto S&P Global (Jul)

Esperado: ND

Anterior: 48,7

PMI dos Serviços S&P Global (Jul)

Esperado: ND

Anterior: 49,3

  • Estados Unidos

PMI Composto S&P Global (Jul)

Esperado: 54,6

Anterior: 52,9

PMI do setor de Serviços (Jul)

Esperado: 55,2

Anterior: 52,9

PMI ISM não-manufatura (Jul)

Esperado: 51,5

Anterior: 50,8

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