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Cenários
Os investidores no Brasil e nos Estados Unidos se animaram na terça-feira (12) com cenários mais benignos para a inflação brasileira e norte-americana. Foram divulgados o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Consumer Price Index (CPI), ambos referentes a julho.
Começando pelo Brasil. O IPCA variou 0,26% em julho, levemente acima dos 0,24% de junho. No entanto, o resultado ficou abaixo da mediana das expectativas, que era de 0,37%. No acumulado de 12 meses, o IPCA recuou para 5,23% ante os 5,35% no acumulado de 12 meses anterior, até junho. Mesmo que a inflação de julho tenha acelerado, os fatos de o resultado ter ficado abaixo das expectativas e de o acumulado em 12 meses ter diminuído levaram os investidores a esperar um cenário menos adverso para os juros.
O otimismo pode ser exagerado, uma vez que a inflação acumulada está 0,73 ponto percentual acima do teto da meta, que é de 4,50%. Porém, há quatro semanas seguidas o Relatório Focus tem mostrado uma baixa na projeção de inflação para este ano e para 2026. Como os profissionais do mercado consideram sempre tendências e expectativas, os números do IPCA reforçaram uma visão mais benigna para a inflação. Se isso vai se confirmar, só os próximos indicadores dirão.
No entanto, a notícia mais importante foi o CPI americano. O índice geral desacelerou levemente para 0,2% em julho ante os 0,3% de junho. Porém, o núcleo do CPI, que não considera os preços mais voláteis dos alimentos e de energia, realizou o movimento inverso e acelerou para 0,3% ante os 0,2% de junho. No acumulado em 12 meses, o CPI geral indicou inflação de 2,7%, em linha com os 12 meses até junho e abaixo da expecativa de 2,8%. Já o núcleo subiu para 3,1%, ante 2,9% até junho e acima de expectativas de 3,0%. Foi o maior resultado acumulado em 12 meses desde fevereiro, antes das tarifas de Donald Trump.
Se a inflação subiu, como explicar o otimismo dos investidores? A movimentação da terça-feira é um exemplo didático de como o que movimenta os mercados são as expectativas. Com a entrada das tarifas em vigor, a expectativa dos investidores era de uma forte aceleração da inflação devido à elevação dos preços ao consumidor. Em maior ou menor escala, as empresas iriam tentar passar adiante parte do aumento dos custos de modo a preservar suas margens. O movimento pressionaria a inflação. No entanto, os índices mostram menos pressão nesse aspecto.
Para reforçar essa percepção, há alguns dias foram divulgados números do mercado de trabalho americano mostrando um arrefecimento das contratações. Isso reduz a pressão de alta sobre os salários, que vem sustentando a renda e o consumo nos Estados Unidos – e mantendo os preços elevados.
Perspectivas
Na avaliação de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a “assimetria interpretativa” dos números de inflação deve fazer com que os investidores precifiquem mais a surpresa baixista do índice geral do que o resultado mais robusto do núcleo, que em tese reflete melhor a dinâmica inflacionária.
Segundo Sanchez, “embora o CPI não seja o índice diretamente acompanhado” pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano, “a leitura de julho amplia a força dos membros do banco central que apontam para três cortes de juros ainda em 2025”, sendo que o primeiro corte está sendo esperado previsto para a reunião agenda para setembro.
“Ou seja”, diz Sanchez, “apesar de o núcleo indicar uma trajetória mais resiliente da inflação, isso parece pouco relevante para adiar o afrouxamento amplamente precificado pelo mercado”.
Indicadores
- Brasil
Pesquisa mensal de varejo (Jun)
Esperado: + 0,7%
Anterior: – 0,2%
Pesquisa mensal de varejo (12m)
Esperado: 2,4%
Anterior: 2,1%
- Estados Unidos
Sem indicadores relevantes