O Centro para Geopolítica do JP Morgan Chase apontou que a taxa das tarifas efetivas sobre importação ficará na casa dos 22% em relatório publicado nesta quarta-feira (6). No documento, a instituição ainda aponta que é improvável que a política tarifária sobre setores sensíveis e críticos de segurança nacional seja suspensa. Segundo o JP Morgan, no espectro político dos EUA há o entendimento de que as tarifas são importantes para melhorar a base industrial do país em setores estratégicos, o que inviabiliza a reversão mesmo com o fim do mandato do atual presidente americano, Donald Trump.
Embora grande parte do otimismo do mercado tenha se originado da crença de que as tarifas são principalmente uma ferramenta de barganha política, o relatório sugere um cenário comercial mais matizado.
Os recentes acordos comerciais fomentaram expectativas de que a Casa Branca possa eventualmente suavizar sua postura, mas o documento afirma que as expectativas de um retorno às políticas anteriores a Trump podem ser equivocadas.
“Seria um erro supor que os EUA retornem a uma era de tarifas baixas e à busca de acordos abrangentes de livre comércio”, apontou o banco. “Mesmo que o próximo presidente americano apoie uma abordagem anterior a de 2017 para a política comercial, ele enfrentará uma série de desafios para reverter a estrutura tarifária do governo Trump.”
Com o passar do tempo, as empresas também poderão recalibrar seus investimentos de acordo com isso, reduzindo as chances de retorno ao regime comercial anterior. Um relatório do mês passado do JP Morgan Chase Institute estimou que a implementação das tarifas universais anunciadas em 2 de abril poderia adicionar até US$ 187,7 bilhões (R$ 1,02 trilhão) em custos diretos de importação para empresas de médio porte, mais de seis vezes o custo de tarifas já em vigor no início de 2025.
O JP Morgan lançou o centro em maio para ajudar as empresas a lidar com os transtornos causados pela instabilidade global e outros desafios econômicos.