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Trump Afirma Que Tarifas Arrecadaram ‘Trilhões’, Mas Conta Não Fecha

Presidente americano enaltece valores arrecadados com sua política tarifária, mas números são repassados aos consumidores e cálculo é mais complexo

4 min

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (12) que suas tarifas estão arrecadando “trilhões de dólares” — número que coincide com as estimativas de alguns economistas sobre a receita que suas taxas poderiam gerar, mas ao longo da próxima década, e não até neste ano.

Em post na Truth Social, Trump sugeriu que sua política tarifária “não causou inflação, nem qualquer outro problema para os Estados Unidos, além de enormes quantias de DINHEIRO entrando nos cofres do nosso Tesouro”.

No entanto, o presidente dos EUA omite que essas taxas são pagas por empresas americanas para importar produtos estrangeiros, custos que acabam sendo repassados aos consumidores.

De acordo com dados divulgados pelo Departamento do Tesouro nesta terça, desde o início do ano fiscal, os Estados Unidos arrecadaram US$ 142 bilhões (R$ 763,96 bilhões) em receita através da cobrança de tarifas. O período termina em setembro.

Desde que as taxas de Trump entraram em vigor, no “Dia da Libertação” — em meados de abril —, as tarifas alfandegárias saltaram para US$ 28 bilhões (R$ 150,64 bilhões) em julho, um aumento anual de 273%. Com isso, as taxas geraram cerca de US$ 96 bilhões (R$ 516,48 bilhões) em receita. Em junho, elas renderam US$ 27 bilhões (R$ 145,26 bilhões), em maio, US$ 22 bilhões (R$ 118,36 bilhões) e, em abril, US$ 16 bilhões (R$ 86,08 bilhões) em abril.

Antes do “Dia da Libertação”, as cobranças alfandegárias somaram US$ 8 bilhões (R$ 43,04 bilhões) em março e US$ 7 bilhões (R$ 37,66 bilhões) tanto em fevereiro quanto em janeiro. Essas taxas são tarifas ou impostos pagos por importadores no comércio internacional, ou seja, empresas ou indivíduos nos Estados Unidos são obrigados a pagá-los quando mercadorias entram no país. Com isso, geralmente, os consumidores acabam arcando com esses custos, já que as empresas ajustam os preços para compensar ou absorver o impacto das taxas.

O próprio secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à MSNBC no início deste mês que espera que as tarifas gerem US$ 300 bilhões (R$ 1,614 trilhão) por ano, observando que “há uma chance de que esse valor seja maior” em 2026. A Tax Foundation projetou que as taxas de Trump arrecadariam cerca de US$ 2,5 trilhões (R$ 13,45 trilhões) na próxima década, mesmo que elas provavelmente aumentem o preço de produtos comuns e os impostos para a família média em quase US$ 1,3 mil (R$ 6.994,00) em 2025 e US$ 1,7 mil (R$ 9.146,00) em 2026. Caso essa política tarifária seja mantida, o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, organização sem fins lucrativos de políticas públicas, projeta um acréscimo de US$ 2,8 trilhões (R$ 15,06 trilhões) ao Produto Interno Bruto (PIB) americano até o ano fiscal de 2034.

A inflação registrou em julho uma alta menor do que o esperado, ficando em 2,7%, embora o núcleo do índice de preços ao consumidor — que exclui alimentos e energia — tenha subido 3,1% em relação ao ano anterior, igualando-se ao maior nível registrado no ano, que havia sido em janeiro. Há indícios de que as tarifas de Trump tenham elevado os preços e alguns economistas alertam que essas taxas podem pressionar os custos até o fim do ano.

No início de 2025, o economista-chefe do JPMorgan Chase, Michael Feroli, afirmou em um relatório que as tarifas de Trump resultariam em “aumentos significativamente maiores” nos preços ao consumidor e em uma inflação mais alta em algum momento do ano. O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse no mês passado que, embora a economia americana esteja em uma “posição sólida”, os efeitos das taxas sobre a economia e a inflação “ainda precisam ser observados”.

Em julho, o presidente americano afirmou que sua administração “consideraria” enviar cheques baseados na receita gerada por suas tarifas. O senador Josh Hawley, republicano do Missouri, apresentou um projeto de lei após Trump demonstrar interesse nessa ideia. A proposta prevê o envio de ao menos US$ 600,00 (R$ 3.228,00) para cada adulto e criança dependente elegível ainda em 2025. O projeto prevê a emissão de um cheque de valor maior, caso a receita com tarifas supere as projeções, o que reduziria a quantia em 5%, para cerca de US$ 570,00 (R$ 3.066,60), a casais com renda bruta ajustada acima de US$ 150 mil (R$ 807 mil), chefes de família com renda acima de US$ 112,5 mil (R$ 605.250,00) ou indivíduos com renda superior a US$ 75 mil (R$ 403.500,00). Essa ainda não foi analisado.

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