1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Inflação Recua 0,11% em Agosto com Alívio no Preço dos Alimentos, Mas Deflação É Menor do Que a Esperada
Forbes Money

Inflação Recua 0,11% em Agosto com Alívio no Preço dos Alimentos, Mas Deflação É Menor do Que a Esperada

Número não deve alterar projeção do mercado para a condução da política monetária

4 min

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)  teve uma queda de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado representa uma desaceleração em relação à alta de 0,26% em julho. O índice também é menor do que a queda de 0,02% registrada em agosto de 2024.

No acumulado do ano, a inflação está em 3,15%, enquanto no horizonte de 12 meses o índice fechado está em 5,13%. A expectativa do mercado girava ao redor de uma deflação de 0,15%. 

Ainda segundo os dados do IBGE, o principal responsável pela queda foi o grupo habitacional, que teve recuo de 0,90% em agosto. O número representa o menor desempenho para um mês de agosto desde o Plano Real, há 31 anos.

A redução de 4,21% na energia elétrica residencial, que sozinha retirou 0,17 ponto percentual do índice geral, também contribuiu para o resultado. Essa queda refletiu a incorporação dos bônus de Itaipu , creditados nas faturas do mês, e já vinha sendo apontada pelo mercado como um fator determinante para a deflação no mês passado. 

“Não é um número que deve alterar significativamente as expectativas, mas aumenta ligeiramente as incertezas no curto prazo”, diz Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital

Esse efeito, entretanto, é temporário, segundo menciona o próprio IBGE, já que em agosto vigorava a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que acrescenta R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos, e vários reajustes regionais, como os de São Luís e Vitória, devem continuar a impactar os preços nos próximos meses.

Outros grupos

O grupo alimentação e bebidas caiu 0,46% em agosto, terceira retração seguida. Os preços dos alimentos consumidos em casa tiveram queda de 0,83%, com destaque para tomate, batata, cebola e arroz. Fora do domicílio, a alta desacelerou de 0,87% em julho para 0,50% em agosto, mostrando menor pressão de bares e restaurantes.

Nos transportes, a redução foi de 0,27%, puxada pelas passagens aéreas, que recuaram 2,44%, e nos combustíveis, em queda de 0,89%. A gasolina, o etanol e o gás veicular ficaram mais baratos, enquanto apenas o diesel subiu, porém, de forma leve (0,16%). Confira os setores que apresentaram alta:

  • Educação: avançou 0,75%, impulsionada por reajustes no ensino superior (1,26%), fundamental (0,65%) e cursos de idiomas (1,87%):
  • Vestuário: subiu 0,72%, pressionados por roupas masculinas (0,93%) e calçados (0,69%):
  • Saúde e cuidados pessoais: aumento de 0,54%, com destaque para itens de higiene (0,80%) e planos de saúde (0,50%);
  • Despesas pessoais: uma alta de 0,40% foi influenciada por jogos de azar (3,60%).

Repercussão

Ao analisar os dados de agosto, Alexandre Maluf, economista da XP, afirmou que a deflação de 0,11% em agosto veio próximo da queda de 0,15% esperada pela casa. O recuo menor nos preços de automóveis novos fez o resultado ficar acima da projeção da XP. O desempenho da energia elétrica e dos alimentos no domicílio ficou dentro das expectativas. Para a XP, a inflação subjacente continua elevada, sobretudo nos serviços, o que limita o espaço para o rompimento maior da política monetária.

“No geral, a leitura não altera nossa perspectiva para o ano, mantendo uma projeção de 4,8% para este ano e 4,5% para o próximo. Essa divulgação deve reduzir o otimismo do mercado em relação às projeções inferiores a 4,5%. Continuamos confiantes em nossa projeção de 4,8% após esta divulgação”, afirma o economista da XP.

No Boletim Focus, analistas consultados pelo Banco Central interromperam 14 semanas seguidas de queda na projeção para 2025 nesta semana. O esperado pelo mercado é uma inflação de 4,85%.

“O resultado de agosto refletiu sobretudo efeitos temporários, ainda sem sinal de melhora estrutural da inflação – como energia elétrica. O núcleo também veio poluído: descontos passageiros em recreação (semana do cinema) reduziram artificialmente o índice e devem pressionar o IPCA de setembro, enquanto cuidados pessoais, dentro de bens mais voláteis, exerceram pressão positiva”, diz Leonardo Costa, economista do ASA.

Para  Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, a deflação registrada em agosto mostrou uma composição pior que a esperada. Serviços e serviços subjacentes continuam a ser o grande desafio para o Banco Central, uma vez que permanecem em patamares elevados. “Boa parte da surpresa foi explicada por um avanço mais forte de bens industriais — categoria que estava contribuindo positivamente para os números mais benignos dos meses anteriores. Ainda assim, não é um número que deve alterar significativamente as expectativas, mas aumenta ligeiramente as incertezas no curto prazo”, diz o economista da Armor Capital, sobre IPCA.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.