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Cenários
O movimento dos mercados na terça-feira (23) foi marcado pelo otimismo com uma possível distensão nas relações diplomáticas e econômicas entre Brasil e Estados Unidos. Apesar de ter proferido um discurso longo e pesado na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente americano, Donald Trump, afirmou ter encontrado rapidamente Luiz Inácio Lula da Silva nos corredores.
Trump disse que os dois se abraçaram e marcaram uma reunião para a semana que vem. Ele chegou a falar em “química excelente”, e disse que Lula “parece ser um cara legal”. Como resultado, o Ibovespa registrou um novo recorde. Subiu 0,91% e fechou a 146.425 pontos, após ter registrado uma nova máxima intradiária histórica, chegando a um pico de 147.178 pontos. O dólar caiu 1,1% e encerrou o dia a R$ 5,279, menor nível em 15 meses.
Por que uma declaração sem maiores compromissos de um presidente acostumado a soltar balões de ensaio teve tanta influência sobre os ativos financeiros? Uma das razões é que essa entidade chamada mercado vive de expectativas. As relações entre Brasil e Estados Unidos estão no pior momento em décadas, e a situação havia se agravado na segunda-feira (22) com a extensão das sanções da Lei Magnitsky à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Por isso, as declarações de Trump representam uma surpresa positiva, para variar. As expectativas melhoraram e isso movimentou os preços.
A outra razão é que, independente de declarações de boa vontade de Trump, os ativos de países emergentes vêm sendo beneficiados de maneira geral pela expectativa de um dólar menos apreciado. Juros menores nos Estados Unidos reduzem a atratividade das aplicações denominadas na moeda americana, o que aumenta a demanda pelos demais ativos. Ainda que seja uma fração muito pequena da liquidez global, é o suficiente para irrigar mercados como o do Brasil. Os ativos brasileiros estão descontados em relação a seus pares, por isso a reação é mais pronunciada.
Perspectivas
Apesar da distensão, os ativos brasileiros estão maduros para uma realização de lucros, ainda que pontual. Por isso não se descarta uma baixa nos preços, com os investidores recalculando o impacto de um eventual arrefecimento da tensão entre Brasil e Estados Unidos.
Indicadores
- Brasil
Confiança do Consumidor FGV (Set)
Esperado: ND
Anterior: 86,2
- Estados Unidos
Venda de casas novas (Ago)
Esperado: 650 mil
Anterior: 652 mil