Bom dia. Estamos na terça-feira, 16 de setembro.
Cenários
O dólar recuou 0,6% na segunda-feira (15) e fechou a R$ 5,321, menor valor desde junho de 2024. A baixa reflete expectativas de juros mais baixos nos Estados Unidos. Nesta terça-feira (16) iniciam-se as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc), órgão do Federal Reserve (FED), o banco central americano.
Os cenários para os investidores já estão dados. Na segunda-feira, as opções de Copom negociadas na B3 indicavam 95,5% de probabilidade de manutenção da Selic nos 15% atuais. Já nos Estados Unidos, o FedWatch Tool da CME indica aproximadamente 96% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na taxa de juros americana, atualmente na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano.
A baixa do dólar segue-se a uma redução gradual das expectativas dos investidores para o câmbio. Na edição da segunda-feira (15), o Relatório Focus do Banco Central (BC) mostrou uma nova revisão para baixo da previsão para o dólar em dezembro de 2025. A mediana foi ajustada de R$ 5,55 para R$ 5,50. Um mês atrás essa previsão era de R$ 5,60.
A razão disso é a mudança esperada para os juros nos EUA, que influencia o diferencial de retorno entre ativos denominados em dólar e ativos em outras moedas. Taxas mais altas nos EUA atraem investidores estrangeiros, elevando a demanda por dólar. Quando o FED corta os juros, esse diferencial se reduz e afeta a atratividade do dólar, especialmente em comparação com moedas de países emergentes que mantêm juros elevados, como o Brasil.
Com o FED possivelmente reduzindo seus juros nesta semana, o diferencial entre Selic e juros americanos aumenta, o que favorece o real por meio de estratégias como carry trade. Nessas estratégias, os investidores buscam retorno maior comprando ativos de países emergentes e financiando em moeda com juros mais baixos.
Se as declarações de Jerome Powell, presidente do FED, confirmarem a expectativa de boa parte do mercado de novos cortes nos juros americanos ainda neste ano, isso poderá destravar movimentos adicionais de baixa do dólar.
As revisões no Focus mostram que analistas estão cada vez menos pessimistas quanto ao câmbio no fim de 2025. A continuidade desse movimento depende de confirmação do corte de juros pelo FED, de dados econômicos americanos que sustentem fraqueza (controle da inflação, desaceleração moderada), e do comportamento da política monetária brasileira.
Perspectivas
Se o FED efetivar o corte, e se o Brasil mantiver a Selic elevada, é provável que o real continue valorizando frente ao dólar, ou ao menos que a queda do câmbio seja sustentada. Por outro lado, se o corte não vier ou vier em magnitude inferior, ou se houver surpresas econômicas ruins nos EUA, pode haver reversão parcial desse movimento.
Indicadores
- Brasil
Início da reunião do Copom
Desemprego (Jul)
Esperado: 5,7%
Anterior: 5,8%
- Estados Unidos
Vendas no varejo (Ago)
Esperado: 0,2%
Anterior: 0,5%
Núcleo das vendas no varejo (Ago)
Esperado: 0,4%
Anterior: 0,3%