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Cenários
Os investidores se preparam para o último trimestre de 2025 refazendo algumas contas para os juros e para o dólar no que resta do ano, à medida que o cenário de 2026 ganha cada vez mais importância nas contas. Na edição mais recente do Relatório Focus, divulgada pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (15), a projeção para a taxa Selic de dezembro de 2026 recuou levemente para 12,38%.
Esse percentual é um arredondamento de 12,375%, o que indica uma média entre os 12,50% anteriores – que valeram por 32 semanas – e a nova projeção de 12,25%. A perspectiva para a edição a ser divulgada na segunda-feira (22) era de que a taxa recuaria para 12,25%, indicando um corte de 2,5 pontos percentuais na Selic gradativamente ao longo do próximo ano.
Porém, no meio do caminho houve uma reunião e um Comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) com um texto muito mais “hawkish” do que o esperado. O Copom não apenas retirou o trecho onde afirmava esperar para ver o efeito da alta dos juros como também reintroduziu o alerta de que a Selic pode voltar a subir.
Mais do que isso, diminuiu a ênfase do impacto inflacionário das tarifas americanas e voltou o foco para o que realmente importa no fim do dia: o desequilíbrio das contas públicas e os gastos aparentemente incontroláveis do governo.
É uma atitude acertada. As tarifas comerciais americanas são extremamente prejudiciais à economia brasileira. Porém, o sistema econômico é dinâmico e capaz de se adaptar. O Brasil elevou suas exportações para a China e, apesar de perder um mercado importante para vários produtos, conseguiu manter o fluxo de dólares relativamente estável.
Porém, o déficit público é muito mais difícil de combater. Além da pouca predisposição do governo para cortar gastos, a estrutura das finanças do estado dificulta o ajuste. E a solução tem sido tentar elevar a arrecadação. Isso tem sido facilitado pelo momento positivo da economia, mascarando o problema.
Não há milagre: se a política fiscal é frouxa, a política monetária tem de ser apertada para impedir a explosão da inflação. Por isso, é bastante provável que os investidores tenham passado a quinta-feira (18) refazendo seus cálculos para a inflação e para os juros em 2026, o que pode aparecer já na próxima edição do Focus.
Perspectivas
A sessão começa com os contratos futuros dos principais índices americanos estáveis no pré-mercado, à espera de resultados corporativos. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão com alta de 1 por cento no pré-mercado.
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