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Starbucks É “Obrigada” a Vender Controle na China Avaliado em US$ 4 Bilhões

Joint venture com a Boyu Capital marca virada na estratégia da cafeteria norte-americana e de posicionamento no maior mercado asiático da bebida

4 min

A Starbucks concordou em vender até 60% de sua operação na China para a empresa chinesa de investimentos Boyu Capital em um acordo que avalia o negócio em US$ 4 bilhões (R$ 24,8 bilhões na cotação atual).

A companhia sediada em Seattle anunciou na semana passada que formou uma joint venture na China com a Boyu. A firma de investimentos será proprietária de até 60% da nova entidade, enquanto a Starbucks mantém 40% de participação e preserva o direito de licenciar a marca.

O valor total de sua operação de varejo na China supera US$ 13 bilhões (R$ 80,6 bilhões), incluindo as taxas de licenciamento a serem pagas à empresa na próxima década, de acordo com o anúncio da Starbucks.

“O profundo conhecimento local e a expertise da Boyu vão ajudar a acelerar nosso crescimento na China, especialmente à medida que avançamos para cidades menores e novas regiões”, disse Brian Niccol, presidente do conselho e CEO da companhia, no comunicado.

A Starbucks planeja aumentar o número de lojas na China para até 20 mil ao longo do tempo, segundo o comunicado. A empresa, que atualmente opera 8 mil unidades na segunda maior economia do mundo, buscava um parceiro há muito tempo enquanto tenta uma retomada.

Nos últimos anos, vem perdendo espaço para concorrentes como a Luckin Coffee, à medida que consumidores passam a escolher opções mais baratas. A Luckin vende um copo de café Americano por US$ 3 (R$ 18,60), quase um terço mais barato que ofertas similares da Starbucks no país. Antes de fechar com a Boyu, a companhia norte-americana recebeu interesse de firmas de investimento como Carlyle Group, EQT e HongShan.

A gigante norte-americana do café pode recorrer a cortes agressivos de preço ao trabalhar com seu novo parceiro para recuperar o crescimento em um de seus mercados mais importantes, afirmam analistas.

O próximo passo da Starbucks na China pode ser reduzir o preço médio de suas bebidas de café para um nível mais próximo ao dos concorrentes locais, afirma Mark Tanner, diretor-gerente da consultoria de pesquisa de mercado China Skinny, com sede em Xangai.

“A maioria dos consumidores tem dificuldade para entender o prêmio que a Starbucks cobra em relação aos concorrentes”, disse ele em mensagem no WeChat.

Starbucks e Boyu não responderam aos pedidos de comentário. A gigante do café já havia reduzido o preço de algumas de suas bebidas à base de chá em quase 20%, chegando a valores tão baixos quanto 29 yuans (US$ 4,1 / R$ 25,40) em junho. Sua operação na China apresentou melhora modesta no trimestre encerrado em setembro. A receita total aumentou 6% ano a ano, para US$ 831,6 milhões (R$ 5,16 bilhões). As vendas em mesmas lojas subiram 2% ano a ano, após queda de 14% no mesmo período do ano anterior.

Mesmo assim, a empresa precisa avançar mais, afirma Zhang Yi, fundador da consultoria iiMedia Research, sediada em Guangzhou. A Starbucks também tem sido lenta em se adaptar às mudanças de preferências da geração mais jovem, disse ele.

A Luckin Coffee, por outro lado, age rapidamente para atrair a atenção do público jovem ao lançar produtos com temas locais. Uma de suas bebidas de edição limitada com embalagem baseada no jogo de videogame Black Myth: Wukong tornou-se um grande sucesso. O sistema da empresa chinesa chegou a cair em determinado momento por causa do volume de pedidos.

“A sede da Starbucks nos Estados Unidos não entendeu as oportunidades aqui”, disse Zhang. “Acho que a empresa também precisa fazer essas colaborações de marca daqui em diante.”

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