O BC americano (Federal Reserve, o Fed), decidiu cortar os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (10), reduzindo a taxa para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, como era amplamente esperado pelo mercado. A decisão de hoje não foi unânime: dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), dois preferiam manter a taxa de juros inalterada, enquanto um terceiro membro votou por um corte de juros maior, de 0,5 ponto percentual. Essa dissidência também era esperada por analistas. O Fed reduziu os juros pela terceira vez consecutiva.
Em conjunto com a decisão, o FOMC atualizou suas projeções para a economia americana, que também vieram em linha com as expectativas. Os dados mostraram que a maior parte dos formuladores de política monetária prevê apenas um corte de 0,25 ponto percentual em 2026. O FOMC projeta ainda que a inflação deve desacelerar para cerca de 2,4% até o final do próximo ano, enquanto o crescimento econômico deve acelerar para 2,3% e a taxa de desemprego permanecerá em 4,4%, um nível considerado moderado.
Questionado sobre o cenário otimista traçado para 2026 em coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, justificou que, além da resiliência do consumo das famílias, o ano que vem continuará a registrar investimentos em inteligência artificial e centros de dados, o que tende a sustentar a economia americana.
Segundo Powell, o crescimento econômico foi revisado para cima enquanto a taxa de desemprego permaneceu no mesmo patamar por conta de uma maior produtividade registrada na economia americana. Ele disse ainda que a política fiscal continuará sendo favorável.
O que pensa o FOMC
Em seu comunicado sobre a decisão, o FOMC ressaltou que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo moderado. Enquanto a criação de empregos desacelerou este ano, a inflação aumentou desde o início de 2025, permanecendo em patamares relativamente elevados. Contudo, como o risco de queda no emprego aumentou, o comitê optou por reduzir a taxa de juros nesta reunião.
Na coletiva, Powell reiterou que a decisão acontece em um momento desafiador. “Se temos o risco de desemprego aumentar e o da inflação também, temos de escolher um lado. Não dá para controlarmos tudo de uma vez”.
Os índices de preços seguem próximos a 3% ao ano, ainda cerca de 50% acima da meta, com pressões setoriais vindas do setor de alimentos, em função das tarifas sobre produtos importados. O impacto dessas tarifas, no entanto, tem sido menor do que o esperado, já que muitas empresas vêm absorvendo parte dos custos para preservar competitividade, suavizando o repasse aos consumidores, analisa Gustavo Sung, economista-chefe da casa de análises Suno.
A novidade do documento foi a menção aos próximos passos da autoridade monetária. O comunicado afirmou que ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais nas taxas, o comitê avaliará cuidadosamente os próximos dados, as perspectivas e o balanço de riscos. Essa linguagem, utilizada em ciclos anteriores para indicar uma possível pausa nas ações de política monetária, reforça que novas reduções de juros só acontecerão diante de evidências mais claras de enfraquecimento adicional do mercado de trabalho ou da inflação.
Apesar da sinalização de uma pausa nos cortes, a bolsa americana reage em alta. Por volta das 17h30, o Dow Jones exibia ganhos de 1,3%, o Nasdaq avançava 0,5% e o S&P 500 subia 0,8%.