Bom dia. Estamos na terça-feira, 2 de dezembro.
Cenários
Guardião da estabilidade da moeda, o Banco Central (BC) tem de realizar tarefas desagradáveis e manter o aperto na economia por meio de taxas de juros elevadas. Por isso já se comparou o trabalho do banqueiro central ao do cidadão que desliga a música no melhor da festa. Quando todo mundo espera uma notícia boa, o BC traz as expectativas de volta à realidade.
Foi isso que Gabriel Galípolo, presidente do BC, fez na segunda-feira (1). Em um evento em São Paulo, Galípolo declarou que o mercado de trabalho brasileiro segue bastante aquecido, o que reduz o espaço para o BC baixar os juros. “Por diversas métricas, é difícil contestar um mercado de trabalho que se mostra aquecido”, afirmou Galípolo. Segundo ele, esses dados e outros mostram “uma economia forte, aquecida e resiliente” o que exige “uma postura humilde e conservadora por parte do Banco Central”.
Galípolo disse ter dificuldades para explicar o motivo de o desemprego seguir caindo, apesar de a taxa de juros estar elevada há bastante tempo. Na teoria, as taxas de juros elevadas deveriam aumentar o desemprego, mas isso não está ocorrendo. “Eu não consigo achar uma solução elegante para explicar isso”, disse o presidente do BC. Ele levantou dúvidas sobre a “tese do desalento”, ou seja, a ideia de que há pessoas fora do mercado de trabalho porque não veem esperanças de conseguir uma vaga.
A conclusão das declarações de Galípolo é inevitável: a probabilidade é menor de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir os juros já na reunião de janeiro. Na segunda-feira (1), as opções de Copom negociadas na B3 mostraram isso. A probabilidade de manutenção da taxa Selic nos atuais 15% ao ano subiu de 95% na sexta-feira, 29 de novembro, para 97%. No caso da reunião de janeiro, a probabilidade de manutenção subiu de 33% no dia 25 de novembro para 40% e a expectativa de corte de 0,5 ponto percentual caiu de 26% para 19%.
O que esperar para as próximas sessões? Há uma grande expectativa por parte dos investidores de que o Copom inicie uma trajetória de corte dos juros na reunião de janeiro, apesar das declarações conservadoras do BC. Ser cauteloso faz parte da descrição de cargo de Galípolo. Por isso, será preciso observar os novos indicadores da economia. Na quinta-feira (4) está prevista a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre. E na próxima quarta-feira (10), último dia da reunião do Copom, será divulgada a inflação de novembro medida pelo IPCA. Apenas a partir desses números, e do Comunicado e da Ata do Copom, será possível saber com mais certeza o que esperar dos juros.
Perspectivas
A terça-feira começa com uma leve alta nos contratos futuros dos índices americanos.
Indicadores
- Brasil
Inflação IPC/Fipe (Nov)
Observado: 0,20%
Esperado: ND
Anterior: 0,27%
Produção Industrial (Out)
Esperado: + 0,4%
Anterior: – 0,4%
Produção Industrial (12m)
Esperado: + 0,2%
Anterior: + 2,0%
- Estados Unidos
Ofertas de empregos JOLTs (Set)
Esperado: ND
Anterior: 7,227 milhões