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Cenários
Para surpresa de zero pessoas, a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa referencial Selic em 15% ao ano. Os motivos são claros: ainda não há um cenário de inflação que permita ao Banco Central (BC) baixar a guarda.
O Comunicado divulgado após a reunião afirmou que o mercado de trabalho segue resiliente e que a inflação, tanto o índice global quanto as medidas subjacentes, permanece acima da meta. As expectativas de inflação seguem desancoradas e as projeções ainda não convergem plenamente no horizonte relevante.
Para o BC, o balanço de riscos segue desfavorável. Isso ocorre porque as expectativas de inflação permanecem acima da meta. As causas são a inércia dos preços, especialmente dos serviços, e a sensibilidade maior do câmbio.
Do ponto de vista do BC, nada (ou quase nada) mudou em relação ao cenário da reunião de outubro. E isso confirmou as expectativas mais conservadoras dos investidores em relação à trajetória futura dos juros.
Ninguém esperava um corte da Selic nesta reunião, mas havia uma expectativa razoável de que o Comunicado sinalizasse o início de um afrouxamento monetário já no ano que vem. Porém, o Copom ficou devendo.
O texto manteve uma palavra decisiva: “bastante”, no quinto parágrafo do Comunicado. Citando na íntegra: “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”. Esse foi o texto da reunião de outubro, repetido sem alterações no documento divulgado na noite da quarta-feira (10).
Por um período “bastante prolongado”, entende-se o seguinte: o Banco Central reconhece que os juros altos estão fazendo efeito. Tanto que a inflação esperada pelo Copom no horizonte relevante, que é o segundo trimestre de 2027, caiu levemente para 3,2%, ante os 3,3% da reunião anterior.
Porém, apesar de a política monetária estar funcionando, o mercado de trabalho está desaquecido, o cenário fiscal está desarrumado, há um risco internacional e – para piorar – em 2026 teremos eleição. Nada disso facilita a vida do BC. Por isso, os membros do Comitê preferiram esperar para ver e voltar a conversar em janeiro, mas sem se comprometerem com qualquer alteração nos juros.
Como o Copom não pode ter pressa para agir, a conclusão é que nada vai ocorrer na primeira reunião do ano. Corte, se houver, só na segunda reunião, agendada para março, exatamente um mês após o Carnaval.
Perspectivas
A quarta-feira também teve a última reunião do ano do Federal Open Market Comittee (Fomc), versão americana do Copom. Também confirmando expectativas, os juros americanos foram cortados em 0,25 ponto percentual para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
A decisão foi a mais dividida desde 2019, com uma aprovação de 9 a 3. Dois dos dissidentes recomendaram a manutenção das taxas, e o terceiro votou por um corte mais intenso, de 0,50 ponto percentual.
O importante veio depois: na entrevista coletiva após a decisão, Jerome Powell, presidente do banco central americano, praticamente descartou novas altas dos juros, o que tranquilizou os investidores. “Não acredito que uma elevação dos juros esteja no cenário-base de alguém neste momento”, disse ele. Isso provocou um movimento de alta nas ações americanas e brasileiras.
Indicadores
- Brasil
Vendas no varejo (Out)
Esperado: – 0,2%
Anterior: – 0,3%
Vendas no varejo (12m)
Esperado: – 0,5%
Anterior: + 0,8%
- Estados Unidos
Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 220 mil
Anterior: 191 mil