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O Que Significa a Escolha de Kevin Warsh para Presidir o BC Americano

Sucessor de Jerome Powell foi o diretor mais jovem do Federal Reserve, é tido como conservador, mas defendeu cortes nos juros

4 min

Confirmando as expectativas, o presidente Donald Trump indicou o economista Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (FED), o banco central americano. Se aprovado pelo Senado, onde o governo tem maioria, Warsh deverá substituir Jerome Powell, cujo mandato à frente do FED se encerra em maio.

Nos últimos meses, Powell foi vítima de diversos ataques da Casa Branca. Trump publicou vários posts em que classificou o presidente do FED de “incompetente” devido à resistência do FED em baixar os juros. Powell também é alvo de uma investigação criminal do Departamento de Justiça decorrente de sua gestão das reformas na sede do banco central em Washington.

A pressão levou Powell a um gesto inédito: no domingo, 11 de janeiro, o FED publicou uma resposta ao Executivo, dizendo que o processo era uma arma política para baixar os juros. Senadores republicanos manifestaram seu apoio a Powell, com alguns chegando ao ponto de afirmar que bloqueariam a confirmação de qualquer indicado para o FED até a questão ser resolvida.

Houve outras tentativas do governo de pressionar o FED. Trump está tentando demitir uma das diretoras, Lisa D. Cook, devido a alegações de que ela cometeu fraude hipotecária antes de ingressar no FED. A Suprema Corte ouviu as partes e pareceu cética quanto aos argumentos do presidente. Os juízes também expressaram preocupação com a incursão na independência do FED e com as perspectivas de um impacto econômico adverso.

Desconfiança do mercado

Movimentos como esse reduzem a confiança do mercado na eficácia da política monetária, o que vem provocando uma migração de recursos para outros ativos, como os metais preciosos e ações de economias emergentes. Não por acaso, o Ibovespa acumulou uma alta de 13,66% em janeiro até a quinta-feira (29) e o ouro superou US$ 5,3 mil por onça.

Agora, espera-se que a indicação de um economista mais alinhado com Trump melhore o clima político. Em uma publicação em sua rede Truth Social, Trump elogiou Warsh, dizendo: “Ele ficará marcado como um dos GRANDES presidentes do FED, talvez o melhor. Além de tudo, ele é perfeito para o papel e nunca decepcionará”, escreveu Trump.

O anúncio de sexta-feira encerrou um longo processo de seleção para substituir Powell. Warsh, de 55 anos, foi o diretor do FED mais jovem da história ao assumir o posto em 2006, com 36 anos. Ficou no cargo até 2011. Sua indicação superou outros nomes próximos a Trump, como o homônimo Kevin A. Hassett, um dos principais conselheiros econômicos do presidente, e Christopher J. Waller, atual diretor do FED. Rick Rieder, um dos principais executivos da gestora de fundos BlackRock, também chegou a ser cotado.

Momento crítico

A escolha ocorre em um momento crítico para o FED. Trump tem pressionado o banco central para baixar os juros, algo difícil devido à permanência da inflação americana ao redor de 2,7% ao ano, muito acima da meta de 2,0%. No entanto, apesar dos preços altos, o mercado de trabalho segue mostrando sinais conflitantes de aquecimento e desaquecimento.

Diferente do Banco Central do Brasil, que tem apenas a tarefa de calibrar os juros para manter a inflação dentro da meta, o FED tem um mandato duplo: controlar a inflação e, ao mesmo tempo, preservar o menor desemprego possível. Essa dinâmica colocou os principais objetivos do FED em conflito, alimentando divisões internas sobre o que fazer em relação às taxas de juros.

Na reunião encerrada na quarta-feira (28), em que anunciou a manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, Powell afirmou que a decisão de cortar os juros em dezembro foi “intensamente debatida”, o que indica que não há clareza para o que fazer nas próximas reuniões.

Como presidente do FED, Warsh terá influência, mas não o controle, sobre as decisões de política monetária. As taxas de juros são definidas por um comitê de 12 pessoas, que inclui os sete membros do conselho de diretores do FED, bem como um conjunto rotativo de quatro presidentes das unidades regionais do FED. O presidente do FED Nova York tem direito a voto permanente.

Warsh, que trabalhou anteriormente como assessor do presidente George W. Bush, tem defendido cortes nos juros, argumentando que as tarifas não levarão a uma inflação persistentemente mais alta. Porém, em sua primeira passagem pelo FED, ele foi considerado um “falcão” (hawk), ou seja, um defensor de uma política monetária menos tolerante com relação à inflação. Essa perspectiva pode ser agradável aos investidores, que temiam a politização dos juros nos EUA.

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