Bom dia. Estamos na terça-feira, 3 de fevereiro.
Cenários
A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (3) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros.
Ao avaliar o cenário da economia internacional, o Comitê avalia que “enquanto os riscos de longo prazo se mantêm, as condições recentes sugerem algum arrefecimento na incerteza (…), no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis”, segundo a Ata.
No cenário doméstico, ao tratar da inflação, o Comitê afirmou que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio”, e que “as leituras recentes indicam um arrefecimento da inflação que abrange tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes”.
Segundo o Copom, “a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos. A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente”.
A decisão marcou uma inflexão relevante no discurso da autoridade monetária. Até então, o Copom vinha reforçando a necessidade de manter a política monetária restritiva por período prolongado. No comunicado mais recente, no entanto, o colegiado reconheceu avanços no processo de desinflação e avaliou que o cenário prospectivo passou a permitir ajustes graduais na taxa Selic.
A Ata reforçou que a principal âncora para essa mudança é o comportamento das expectativas de inflação. A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (2), mostrou um recuo da projeção para o IPCA de 2026 para 3,99%. Trata-se da primeira vez, desde o início de 2025, que a expectativa para esse horizonte cai para abaixo de 4%. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior credibilidade do regime de metas.
O documento indica que a redução das expectativas ocorre de forma consistente e disseminada entre os agentes econômicos. Com isso, o Comitê ganha maior conforto para iniciar o processo de flexibilização sem comprometer a convergência da inflação à meta.
Outro ponto central da Ata foi o ambiente externo. O comunicado da semana passada já havia mencionado uma distensão no mercado internacional, com menor volatilidade financeira e redução nas pressões inflacionárias globais. A melhora do ambiente internacional reduz a probabilidade de choques adversos sobre o câmbio e os fluxos de capitais. Esse fator abre espaço para ajustes na política monetária local, ainda que de forma cuidadosa e dependente de dados.
Perspectivas
A ausência de notícias distendeu o ânimo dos investidores e os contratos futuros dos principais índices americanos iniciam a terça-feira com uma leve alta. No entanto, o mercado segue volátil e sem tendência definida.
Indicadores
Brasil
Ata do Copom
Inflação Fipe (Jan)
Observado: 0,21%
Esperado: ND
Anterior: 0,32%
Produção Industrial (Dez)
Esperado: – 0,8%
Anterior: 0,0%
Produção Industrial (12M)
Esperado: + 1,0%
Anterior: – 1,2%
Estados Unidos
Sem indicadores relevantes