O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, teve alta em fevereiro. O indicador subiu 0,84% no mês, ante alta de 0,20% em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27).
Os resultados ficaram acima da das expectativas em pesquisa da Reuters, que era de alta de 0,57% para o período. Em 12 meses, a alta do IPCA-15 desacelerou a 4,10%, de 4,50% no mês anterior. No entanto, o resultado superou com folga a projeção de 3,82%.
A meta contínua para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção de analistas para o IPCA este ano é de alta de 3,91% e de 3,80% em 2027.
Segundo Alexandre Maluf, economista da XP, o resultado representou uma “grande surpresa”, já que a corretora projetava uma taxa de 0,60%. Para ele, o avanço foi impulsionado principalmente pelo custo das passagens aéreas, que dispararam 11,6%, contrariando o esperado pelo mercado, que aguardava uma deflação entre 5% e 10% para o mês. Reajustes em seguros de veículos e a pressão no setor de serviços relacionados e nas mensalidades escolares também pressionaram o índice.
Na avaliação do economista da XP, essa leitura ruim provocou uma reação imediata e negativa do mercado, impulsionando a curva de juros para cima. “Trata-se de uma notícia desanimadora às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)”, comenta ele.
Os próximos encontros do comitê estão marcados para os dias 17 e 18 de março, em um cenário de fortes expectativas de que a autoridade monetária dê início a um ciclo de flexibilização. Atualmente, a Selic está em 15%.
Guilherme Sousa da Ativa Investimentos explica que trata-se da maior surpresa registrada para o IPCA-15. “Se olharmos o fechado, a surpresa de magnitude similar foi observada em março de 2022, quando observou-se 27 bps, mas superior apenas em março de 2003, 33 bps”, afirma.
“Para nós, embora a surpresa altista tenha sido expressiva, avaliamos que, isoladamente, o resultado não altera de forma relevante os planos previamente estabelecidos para a condução da política monetária”, ressalta.
Inflação
Os preços do grupo Educação subiram 5,20% em fevereiro, após marcar uma variação positiva de 0,05% em janeiro, por causa dos reajustes nas mensalidades de escolas e cursos que ocorrem no início do ano letivo.
A maior contribuição foi dada pelos cursos regulares (+6,18%), com altas dos preços do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%).
Também se destacou o aumento de 1,72% dos Transportes, após queda de 0,13 no mês anterior. Já os combustíveis avançaram 1,38% em fevereiro, com altas nos preços do etanol (2,51%), da gasolina (1,30%) e do óleo diesel (0,44%).
O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,20% em fevereiro, abaixo da taxa de 0,31% de janeiro, com alta de 0,09% da alimentação no domicílio. Tiveram alta tomate (10,09%) e carnes (0,76%), enquanto os preços do arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) recuaram.
“Outro componente que contribuiu para a surpresa foi a semana do cinema, cuja deflação de aproximadamente 2,5% foi muito inferior aos 7% esperados pelo mercado”, apontou Maluf.
O economista do ASA, Leonardo Costa, destaca que ainda que parte da surpresa esteja concentrada em itens voláteis, a difusão em serviços e a magnitude do núcleo exigem cautela adicional na avaliação do cenário inflacionário de curto prazo.