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Como a Guerra no Irã Pode Afetar Juros, Inflação e a Política Fiscal nos EUA?

Preços mais altos de gasolina e energia alimentaram temores de que o conflito possa adiar cortes nas taxas de juros pelo Fed

5 min

Preços mais altos de gasolina e energia alimentaram temores de que a guerra no Irã possa prolongar a inflação e adiar cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed). Ainda assim, alguns especialistas avaliam que pode ser cedo para determinar como a escalada conflito afetaria a economia dos Estados Unidos.

O presidente do Federal Reserve Bank de Minneapolis,Neel Kashkari, afirmou na terça-feira (3) que tinha “muita confiança” nas perspectivas da economia dos EUA antes do país lançar ataques contra o Irã. Ele destacou, porém, que ainda há incerteza sobre cortes de juros, já que não está claro se os preços da energia continuarão subindo, podendo influenciar a inflação.

Kashkari destacou que ainda é “cedo demais” para estimar o impacto que o conflito pode ter sobre a inflação e que isso pode depender de quanto tempo a guerra durará e de “quão grave” ela se tornará.

Essa avaliação reforça uma perspectiva semelhante apresentada pela presidente do Federal Reserve Bank de Cleveland,Beth Hammack, que disse aoThe New York Timesque ainda é prematuro medir o impacto da guerra no Irã. Apesar do conflito, Hammack afirmou apoiar a manutenção das taxas de juros estáveis por “um bom tempo”.

Os custos de energia nos Estados Unidos já vinham aumentando ao longo do último ano. Os preços da eletricidade subiram6,3%nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026. Isso é mais que o dobro da inflação geral de2,5%, de acordo com o Bureau of Labor Statistics.

Já os gastos médios residenciais de eletricidade passaram de pouco menos de16 centavos (R$ 0,84)por quilowatt-hora em janeiro de 2025 para quase18 centavos (R$ 0,95)por quilowatt-hora em novembro. Essa é uma alta de11,5%, após avanço de3,4%entre 2024 e 2025, informou a Energy Information Administration.

Kristian Ker, analista da LPL Financial, escreveu em nota que qualquer “interrupção prolongada” nos fluxos de petróleo e gás natural tem potencial para influenciar as expectativas de inflação, reduzir a confiança das empresas e aumentar a volatilidade entre diferentes classes de ativos.

O economista-chefe da Wells Fargo Economics, Tom Porcelli, também comentou que as projeções da instituição indicam uma possível alta de até 30% no preço do petróleo. Ainda assim, segundo ele, o movimento “não chega nem perto” de provocar uma recessão ou desorganizar a dinâmica da inflação. “Na ausência de uma guerra prolongada”, escreveu, o impacto do conflito sobre a economia dos EUA, a inflação e a política monetária “deve permanecer moderado”.

Ryan Sweet, economista-chefe da Oxford Economics,disse que o conflito “não tem um impacto significativo na economia global”, mas alertou que existe um “risco crescente” de que diferentes interrupções se acumulem “uma sobre a outra, amplificando o choque”.

Como os mercados reagem a conflitos?

O mercado de ações dos Estados Unidos costuma atravessar grandes eventos geopolíticos sem grandes rupturas, escreveram analistas da LPL Financial na quarta-feira (4). Em mais de duas dezenas de episódios desde a Segunda Guerra Mundial, o índiceS&P 500registrou, em média, uma queda de cerca de 1% em um único dia.

Os analistas acrescentaram que os mercados tendem a “absorver choques” rapidamente antes de se estabilizar e se recuperar “em questão de semanas”.

OS&P 500caiu 1,2% quando o Irã atacou Israel em abril de 2024 e levou pouco mais de duas semanas para recuperar as perdas. Já após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em junho de 2025, o indicador subiu 1%.

Segundo a instituição, as condições fundamentais da economia — como a saúde do mercado de trabalho, o nível das taxas de juros e a inflação — “importam mais do que o evento em si”. A probabilidade combinada atribuída a um corte nas taxas de juros na reunião do Federal Reserve em julho, segundo a ferramentaFedWatch, da CME, é de 54.7%.

Por outro lado, as chances são bem menores em março e abril, com 2,7%e12,8%, respectivamente, antes de subir para37,4%em junho.

O que observar?

Se os preços do petróleo e do gás continuarão subindo. O preço médio do galão de gasolina nos Estados Unidos chegou aUS$ 3,19 (R$ 16,84)na quarta-feira (4), alta de mais de22 centavos de dólar (R$ 1,16)em relação à semana anterior, segundo a AAA.

OBrent, referência internacional do petróleo, ultrapassouUS$ 85 (R$ 448,80)na terça-feira (3), atingindo o maior nível desde julho de 2024. Alguns analistas sugerem que o preço por barril pode superarUS$ 100 (R$ 528,00)caso o conflito com o Irã se prolongue.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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