Aeconomiabrasileiradevedesacelerarem2026, com o cenário marcadopor incertezas geopolíticas crescentes e uma eleição presidencial polarizada, depois de ter crescidono ano passadono ritmo mais fracoemcinco anos.
A expectativa de analistas é que a atividade mostre de novo um ritmo mais forte no primeiro semestre, impulsionada pela agropecuária e medidas de incentivodogoverno, e esmoreça na segunda metadedoano — assim como aconteceuem2025, quandoaeconomiacresceu 2,3%, segundodados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.
A avaliação é que,embora oBrasilainda possa se favorecer de certo mododas incertezas geopolíticas geradas pela escalada recentedoconflito no Oriente Médio, consumidores, governo e o próprio Banco Centraldevem se tornar mais cautelosos.
“Incerteza não falta neste ano e o cenário externo alimenta mais essa incerteza. Ninguém temum ‘best guess’doque vai acontecer nos próximos meses, e essa falta de previsibilidade reforça o cenário de cautela”, disse Antonio Ricciardi, economistadoBanco Daycoval, que prevê um crescimentodoPIBem2026de 1,9%.
O foco agora está sobre os impactosdos ataquesdos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causandopreocupações com uma interrupçãodofluxo de petróleo edogás e com o impacto na inflação.
Por um lado, esse cenário pode favorecer oBrasil, principalmente a balança comercial, que temforte peso das exportações de produtos agrícolas e petróleo.
“Num cenário de guerra, oBrasilé que alimenta o mundoe, agora com câmbio mais depreciado, a gente fica cada vez mais atrativo”, disse Ariane Benedito, economista-chefedoPicPay, destacandoa possibilidade de aumento no volume exportadodopetróleo. “E outra questão é o (aumentodo) preço, a gente volta a ser beneficiado.”
O outro lado da moeda é a possibilidade de impacto na inflação doméstica do aumento dos preços do petróleo, o que, nas contas de Benedito, se daria no caso de o barril do combustível superar US$ 95. Para tanto, segundo a economista, seria necessário uma “interrupção de mais de quatro semanas no Estreito de Ormuz e baixar muito o estoque disponível”.
Nesta terça-feira, os preços do petróleo tipo Brent subiam cerca de 7%, a US$ 83,44 o barril, depois de terem tocado o maior valor desde julho de 2024 de US$85,12.
“Hoje ainda não acreditamos numa explosão, pode até romper os US$ 95 em algum momento, mas não ficar lá”, disse Benedito.
Eleição
A expectativa deeconomistase investidores é de que o Banco Central comece a reduzir os juros na reuniãodos próximos dias 17 e 18 de março, depois de ter mantidoa Selicem15%emjaneiro.Embora o conflito no Oriente Médio de forma geral não tenha mudadoessa visão, a avaliação é que ele impõe cautela e pode afetar o ritmo e a magnitudedoafrouxamento.
Andrés Abadía, economista-chefe de América Latina da Pantheon Macroeconomics, destaca que uma escalada adicionaldoconflito no Oriente Médio ofuscaria as perspectivas, adicionandopressão inflacionária de curto prazo justamente no iníciodociclo de afrouxamento.
“Embora preços mais altosdopetróleo beneficiema Petrobras e as receitas fiscais, o efeito líquidoprovavelmente levaria a uma postura de maior cautela e a cortes de juros mais lentos”, avaliouemnota Abadía, que estima expansãodoPIB este ano de 1,8%.
Depois de um início de ano com expectativa de crescimento forte do agro e estímulos do governo que tendem a impulsionar o consumo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, a economia deve enfraquecer no segundo semestre, que terá como ponto focal a eleição presidencial.
“Como é ano eleitoral, os estímulosdogovernodevem ficar concentrados no primeiro semestre. E no segundosemestre temdesaceleração, …porque no último trimestre temefeito esperados agentes econômicos, esperandopara ver o cenário eleitoral”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research, que calcula um avançodoPIB este ano de 1,8%.
Pesquisas de intenção de voto recentes mostram umempate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaroemcenário de segundoturno.
“O ciclo de cortesdos juros pelo BCdevefazer mais efeito naeconomiano segundosemestre, mas me parece que seria mais impedir uma queda maiordoque impulsionar aeconomia”, disse ele.
O Ministério da Fazenda estimou nesta terça-feira que o PIB crescerá novamente 2,3% este ano.