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Galípolo Cita “Gordura” para BC Analisar Efeitos da Guerra e Diz Que Mercado Entendeu “Calibragem” da Selic

O presidente do Banco Central falou com jornalistas nesta quinta-feira (26)

4 min

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia “gordura” para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio, acrescentando que o mercado entendeu corretamente o fato de a “calibragem” da Selic se referir a cortes dos juros. Galípolo avaliou que o momento atual é de ter “tempo para entender” os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

“O conservadorismo que o BC adotou ao longo de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se a gente não tivesse sido conservador”, disse.

“Nos permite ter uma gordura para que a gente possa ir analisando os desdobramentos (da guerra) e entender como isso vai impactar a economia brasileira.”

Segundo ele, vem ganhando força a interpretação de que o choque gerado pelo conflito afeta não apenas a logística, mas também a capacidade produtiva de petróleo.

Galípolo ressaltou que banqueiros centrais têm concluído que choques de oferta como o observado agora com o petróleo tendem a pressionar a inflação para cima e a atividade econômica para baixo.

Para o presidente do BC, é necessário um estudo mais aprofundado sobre os efeitos do conflito sobre a atividade no Brasil, que conta com o benefício de ser exportador de petróleo.

Ele ressaltou que o cenário de incerteza “alargou” o intervalo de confiança das projeções do BC, ressaltando que a parcimônia da autarquia ao longo do último ano dá agora à autoridade monetária mais tempo para entender quais os desdobramentos do conflito sobre o país.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano, mas destacou o aumento da incerteza com a guerra. O BC afirmou que estava dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, termo que já constava no comunicado anterior do Copom, de janeiro, quando sinalizou um corte para março.

De acordo com Galípolo, o mercado entendeu corretamente que a calibragem citada pelo BC diz respeito ao processo de corte de juros.

Na entrevista, o presidente do BC afirmou que a revelação do envolvimento de servidores do BC em atos investigados pela polícia sobre o Banco Master gerou consternação entre servidores e um “processo de luto”.

Ele defendeu a aprovação da emenda constitucional que dá autonomia financeira à autoridade monetária e do projeto de lei de resolução bancária, que dariam mais instrumentos para a atuação do BC em casos desse tipo.

Intervenções do BC no câmbio seguem “orientação de sempre”

Galípolo também disse que as intervenções da instituição no mercado de câmbio estão seguindo a “orientação de sempre” e que é o Tesouro quem decide sobre as atuações no mercado de títulos públicos.

Desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou, no fim de fevereiro, o Banco Central promoveu algumas operações para minimizar os efeitos do conflito no mercado de câmbio. O BC fez em diferentes datas o “casadão” (venda de dólares à vista simultaneamente à negociação de contratos de swap reverso) e leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).

Na tarde desta quinta-feira, o BC anunciou mais dois leilões de linha.

Tradicionalmente, o BC afirma que as intervenções no mercado de câmbio ocorrem apenas para corrigir disfuncionalidades no mercado, muitas vezes em momentos como o atual, em que a guerra gerou maior volatilidade. Segundo Galípolo, essa condução do BC no mercado de câmbio tem sido elogiada.

Durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária, em Brasília, Galípolo também lembrou que as decisões sobre leilões no mercado de títulos públicos cabem ao Tesouro — e não ao Banco Central, que apenas operacionaliza as atuações.

Na semana passada, o Tesouro decidiu realizar leilões extraordinários de títulos prefixados e indexados à inflação, para garantir a liquidez, reduzindo distorções na curva a termo brasileira.

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