A guerra com o Irã já pesa no bolso dos viajantes nos Estados Unidos. Os preços da gasolina estão subindo às vésperas do período de férias de Páscoa e da temporada de viagens de carro, enquanto as companhias aéreas devem repassar aos consumidores o aumento nos custos do querosene de aviação.
Os preços da gasolina nos EUA superaram US$ 3 por galão na segunda-feira (02), após os ataques americanos ao Irã. No mês passado, o preço médio ao consumidor chegou a US$ 2,85 por galão. O valor atual equivale a R$ 15,60 por galão (R$ 4,12 por litro), considerando o câmbio de R$ 5,2 por dólar.
As ações de empresas americanas do setor de turismo recuaram ontem, com os índices Dow Jones de companhias aéreas e de hotéis nos EUA registrando queda de cerca de 2%.
Diversos hotéis de marcas ocidentais no Oriente Médio sofreram danos nos primeiros dias do conflito, incluindo um Crowne Plaza cinco estrelas no Bahrein e um hotel de luxo da marca Fairmont na Palm Jumeirah, em Dubai.
Diferentemente do que ocorreu em junho de 2025, após os ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas, o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) não emitiu um alerta do Sistema Nacional de Aviso sobre Terrorismo (NTAS) indicando um “ambiente de ameaça elevado” dentro dos Estados Unidos. Tampouco aeroportos americanos adotaram medidas adicionais de triagem ou novas restrições de viagem relacionadas ao conflito.
Impacto no petróleo
Após ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o país fechou o Estreito de Ormuz, ponto estratégico de passagem de petroleiros responsáveis pelo transporte de um quinto do petróleo mundial. Pelo menos quatro embarcações foram danificadas na região, e seguradoras marítimas estão cancelando a cobertura contra riscos de guerra para navios que operam no Golfo Pérsico, segundo a Bloomberg.
O Brent, referência global do petróleo, avançou 13% na segunda-feira, para US$ 82 por barril (R$ 426,40), e alguns analistas projetam que a cotação pode alcançar US$ 100 (R$ 520) caso o Oriente Médio mergulhe em um novo conflito prolongado. O Citigroup elevou sua projeção de curto prazo para o Brent em US$ 15 por barril, para US$ 85 (R$ 442), afirmando que espera que a referência global seja negociada até US$ 90 (R$ 468) nesta semana, em parte devido aos fluxos “interrompidos” pelo Estreito de Ormuz.
O cenário é mais grave do que o de junho de 2025, quando os EUA atacaram instalações nucleares iranianas, mas o Estreito de Ormuz permaneceu aberto e um cessar-fogo foi mantido.
Impacto nas ações
Em todo o Oriente Médio, o fechamento do espaço aéreo forçou as empresas a cancelar milhares de voos, enquanto o preço do querosene de aviação — que representa entre 20% e 30% dos custos operacionais das companhias — também subiu.
Historicamente, quando o combustível de aviação encarece, as empresas aéreas repassam ao menos parte desse aumento aos passageiros. As três grandes companhias tradicionais dos EUA com maior número de rotas internacionais — Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines — viram suas ações cair entre 3% e 5% na segunda-feira.
Grandes grupos americanos de hospitalidade, como Marriott, Hilton e Hyatt, ampliaram significativamente seus investimentos no Oriente Médio nos últimos anos, à medida que a região se consolidou como um dos destinos turísticos de maior crescimento.
Na semana passada, a Marriott informou que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estavam entre os cinco mercados com maior expansão para a companhia em 2025. A Hilton mantém forte presença no Oriente Médio e um plano agressivo de expansão, com mais de 100 novos empreendimentos na região, especialmente nos países do Golfo e na Arábia Saudita. Já o pipeline do Hyatt também está concentrado na Arábia Saudita, com múltiplos projetos anunciados para o Mar Vermelho e AlUla, cidade-oásis histórica no noroeste do país.
Não está claro por quanto tempo a guerra com o Irã irá durar. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou a jornalistas na segunda-feira que o conflito não será “interminável”, enquanto o presidente Donald Trump declarou em entrevistas no domingo que a guerra pode se estender por quatro a cinco semanas.
Hegseth também disse que não haverá envio de tropas terrestres ao Irã, mas ponderou que essa possibilidade não pode ser totalmente descartada após a morte de um quarto soldado americano.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com