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Ibovespa Avança Mais de 1% com Alívio Externo, Mas Incertezas Persistem

Dólar acompanha exterior e tem queda firme ante real com guerra ainda no radar

5 min

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, superando os 181 mil pontos no melhor momento do pregão, em dia de recuperação endossada pelo cenário externo, com alívio nos preços do petróleo e viés positivo em Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,25%, a 179.875,44 pontos, após três sessões seguidas de queda, período em que acumulou um declínio de mais de 3%.

Na máxima do dia, chegou a marcar 181.254,85 pontos. Na mínima, registrou 177.656,24 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,7 bilhões.

O barril do petróleo Brent fechou em queda de 2,84%, a US$ 100,21, o que corroborou a melhora nos mercados, mas o clima segue volátil, sem sinais de um desfecho rápido no conflito no Oriente Médio, que já dura mais de duas semanas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira acreditar que o governo iraniano quer fazer um acordo para acabar com a guerra, mas que não sabe se o Irã está pronto ainda.

Diversos aliados dos EUA também disseram nesta segunda-feira que não tinham planos imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido de Trump por apoio militar para manter a via navegável aberta.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 1,01%.

Na visão do analista Nícolas Mérola, da EQI Research, a performance dos ativos financeiros nesta segunda-feira parece ser mais uma adequação, uma adaptação dos mercados ao conflito, do que uma mudança de cenário.

Ele pontuou que o petróleo, de fato, não voltou a rondar os US$ 120 o barril, mas segue na casa dos US$ 100, então ainda é um “nível de estresse”, enquanto a situação envolvendo a guerra dos EUA e Israel contra o Irã continua “nebulosa”.

Investidores também seguem especulando os potenciais reflexos do cenário geopolítico na inflação, e nesta semana uma série de reuniões de política monetária, incluindo nos EUA e no Brasil, pode revelar a visão dos bancos centrais.

No caso brasileiro, que terá o desfecho conhecido no final da quarta-feira, a expectativa migrou para um corte de 0,25 ponto percentual, com algumas apostas mais recentemente até mesmo de manutenção da Selic a 15% ao ano.

Pesquisa Focus publicada há uma semana ainda apontava corte de 0,50 pontos, conforme a mediana das projeções. Na edição mais recente, publicada nesta segunda-feira pelo Banco Central, essa previsão passou para 0,25 ponto.

Economistas do Deutsche Bank reiteraram sua estimativa de queda da Selic para 14,50%, mas ponderaram que os desdobramentos no Oriente Médio e a persistência da inflação de serviços representam riscos altistas para a projeção.

“Um corte mais moderado de 0,25 ponto também é uma possibilidade, e não descartamos totalmente a manutenção da taxa, caso as hostilidades e as disrupções no mercado de petróleo se intensifiquem nos dias que antecedem a reunião.”

Leilão do Tesouro Nacional

O Tesouro Nacional realizou uma segunda intervenção no mercado de títulos nesta segunda-feira, influenciando o Ibovespa, ao anunciar leilões de compra e venda de Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação.

Mais cedo no dia, o Tesouro já havia comprado 14,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,45 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F), ambos papéis prefixados.

O órgão anunciou que, a partir desta segunda-feira, realizaria leilões de compra e venda de papéis para “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

Essa decisão veio após o Tesouro comunicar, por meio de nota, o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados a índices de preços e títulos prefixados, que estavam programados para a terça e a quinta-feira desta semana, respectivamente. O leilão de títulos indexados à taxa básica Selic (LFT) agendado para a terça-feira, no entanto, foi mantido.

De acordo com profissionais ouvidos pela Reuters, as operações do Tesouro, ao recomprar títulos, ajudam a reduzir a pressão de alta das taxas vista nos últimos dias em decorrência da guerra no Oriente Médio, contribuindo assim para a queda da curva de juros brasileira nesta segunda-feira.

Dólar

O dólar iniciou a segunda-feira em queda firme no Brasil, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, com a guerra no Oriente Médio e decisões de bancos centrais sobre juros no foco dos investidores.

O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,62% no Brasil, aos R$ 5,23, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana pelo mundo.

Israel disse que tem planos detalhados para pelo menos mais três semanas de guerra e que seus militares bombardearam locais em todo o Irã durante a noite. Já o Irã disse que não solicitou um cessar-fogo e que busca garantir que o fim para a guerra com Israel e EUA seja definitivo.

No campo econômico, os agentes aguardam para esta semana as decisões sobre juros dos bancos centrais de EUA, Reino Unido, Japão e zona do euro, além do Brasil. No caso do Federal Reserve, a expectativa é de que a taxa seja mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%.

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