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Petrobras: Como a Alta do Petróleo Afeta os Resultados da Empresa?

Segundo analistas, comportamento da ação é imprevisível pois dependerá das cotações internacionais e da decisão da estatal em repassar o aumento ao consumidor

5 min

O ataque conjugado de Israel e Estados Unidos ao Irã no dia 28 de fevereiro disparou uma alta dos preços do petróleo e quedas recordes nos pregões ao redor do mundo. A cotação do barril de óleo do tipo Brent chegou a US$ 119 na madrugada da segunda-feira. Isso representa uma alta de 65% frente aos US$ 72 na sexta-feira (27), último pregão antes do ataque. E, prova da volatilidade que tomou conta do mercado, na segunda-feira (9) o Brent fechou levemente abaixo de US$ 90, com queda de 3% devido a declarações de Donald Trump de que a guerra estaria perto do fim.

Isso afetou os pregões ao redor do mundo e a B3 não foi exceção. Na semana, até a sexta-feira (6), o Ibovespa amargou uma desvalorização de cerca de 5%. Sem as ações da Petrobras, essa queda teria sido de cerca de 6,5%, segundo cálculos da consultoria Elos Ayta. Entre o início do conflito e a segunda-feira, as ações preferenciais avançaram cerca de 10%.

Isso ocorre porque a estatal petrolífera é a empresa mais relevante do índice. Somadas, as participações de Petrobras PN e Petrobras ON são de 12,286% da carteira teórica, superando os pouco mais de 11% da Vale, principal ação isoladamente do índice. Segundo Einar Rivero, fundador da Elos Ayta, a conta foi feita com a retirada das ações da estatal petrolífera do índice e com a redistribuição desse percentual pelas demais ações, proporcionalmente.

O petróleo em alta afeta diretamente os resultados da Petrobras, dependendo de como a empresa repassar esse aumento de preços para o consumidor. Magda Chambriard, presidente da estatal, afirmou na sexta-feira (6) que a companhia não deve repassar as oscilações imediatamente, mas tentará reduzir os efeitos da volatilidade internacional sobre o preço praticado nas bombas. “Estamos vivendo um momento de instabilidade e nossa preocupação é estarmos preparados para qualquer cenário nos preços do petróleo”, disse ela durante conferência com analistas. “Nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno.”

Repasse ao mercado interno

A alta dos preços já está afetando o abastecimento. Segundo uma pesquisa da startup de meios de pagamento TruckPag, do início do conflito até o sábado (7), os preços dos combustíveis subiram cerca de 8,5% e há dificuldades de abastecimento de caminhões em algumas regiões no estado do Paraná.

Qual o impacto disso? Segundo Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, os resultados da Petrobras são altamente sensíveis aos preços do petróleo. “A maior parte do lucro vem do segmento de exploração e produção (E&P), especialmente do pré-sal, onde o custo de extração é relativamente baixo e a margem aumenta muito quando o Brent sobe”, diz ele. “Em 2025, mesmo com queda média de cerca de 14% no preço do Brent, a empresa ainda conseguiu lucrar R$ 110 bilhões, mostrando a força da estrutura de custos e da produção crescente”. Para Belitardo, a alta recente das cotações tende a melhorar o fluxo de caixa e potencialmente permitir dividendos maiores se esse nível se mantiver. No entanto, diz ele, esse efeito não é linear. “Parte da produção é vendida no mercado interno com preços que nem sempre acompanham a cotação internacional.”

No entanto, isso vai depender de uma decisão deliberada da empresa, que é o percentual que será repassado ao consumidor. “A Petrobras mantém cautela operacional e não repassa imediatamente essa volatilidade para preços domésticos de combustíveis, o que pode limitar o impacto positivo sobre a margem interna no curto prazo”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “Persistir na estratégia de absorver custos sem repasse poderia eventualmente pressionar o caixa. Contudo, a empresa tem conseguido equilibrar produção crescente com melhor margem de exportação, o que mitiga esse risco de forma relativa nesse estágio”, afirma.

Comprar ou vender a ação?

As ações da Petrobras fecharam a R$ 46,30 na segunda-feira. Segundo os analistas ouvidos pela Forbes, a estratégia do investidor para a ação vai depender da duração da alta e da estratégia de repasse de preços. “Em um cenário de barril elevado e demanda global firme, a companhia tende a manter forte geração de caixa e dividendos relevantes, o que sustenta interesse dos investidores”, diz Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos. “O ponto de atenção está menos no preço atual do barril e mais na combinação entre cotação internacional do petróleo, política de preços de combustíveis no Brasil e decisões de investimento da companhia.” Para ele, quando esses fatores permanecem alinhados, a Petrobras costuma apresentar resultados robustos e forte atratividade para o mercado.

Já Belitardo, da Hike Capital, avalia que a decisão dependerá bastante dos preços da ação. Para ele, o patamar atual não apresenta grandes perspectivas de valorização. “Acima da faixa de R$ 47, eu tenderia mais para uma estratégia de manter a ação e iniciar uma realização parcial dos lucros, a menos que o Brent permaneça muito alto por mais tempo e a Petrobras comece a reajustar combustíveis ou sinalize dividendos extras de forma mais concreta”, diz ele. “Eu recomendaria uma compra com mais conforto se o papel estivesse abaixo de R$ 40.”

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