Nesta segunda-feira (9), os preços do petróleo ultrapassaram US$ 119 por barril (R$ 622,17), alcançando níveis que não eram registrados desde meados de 2022. A alta ocorre em meio a cortes de oferta por alguns dos principais produtores globais e ao aumento das preocupações com possíveis interrupções prolongadas no transporte marítimo.
Isso aconteceu depois que no domingo (8), pela primeira vez desde o início dos conflitos entre Irã e a coalizão entre Estados Unidos e Israel, instalações de petróleo iranianas foram atacadas. Quatro tanques de armazenamento de petróleo e um terminal de transferência de derivados foram destruídos nos arredores de Teerã, causando quatro mortes.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 10,26 (R$ 53,64), ou 11,1%, a US$ 102,95 (R$ 538,25) por barril, às 09h15, enquanto os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiam US$ 10,14 (R$ 53,01), ou 11,2%, a US$ 101,04 (R$ 528,27).
Em uma sessão turbulenta, o Brent chegou a atingir mais cedo US$ 119,50 (R$ 624,78) por barril, no maior salto de preço absoluto em um único dia. O WTI atingiu US$ 119,48 (R$ 634,68) por barril.
O Brent subiu 66% e o WTI 77% em relação aos valores do último fechamento antes de os EUA e Israel iniciarem os ataques em 28 de fevereiro. Os preços se comparam às máximas históricas de US$ 147 (R$ 768,56) por barril para os contratos alcançadas 2008, de acordo com dados da LSEG que remontam à década de 1980.
Escassez de oferta
O prêmio dos contratos de carregamento do Brent no primeiro mês em relação aos contratos para entrega daqui a seis meses subiu para um recorde histórico nesta segunda-feira (9) de quase US$ 36 (R$ 188,22), segundo dados da LSEG desde 2004. A alta indica uma estrutura de mercado conhecida como backwardation, mostrando que os operadores veem uma intensa escassez de oferta atual.
Esse valor ficou bem acima do pico anterior de US$ 23 (R$ 120,25) em março de 2022, nas primeiras semanas da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
O Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está praticamente fechado. A nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã, também impulsionou os preços, sinalizando que a linha dura continua no comando em Teerã, uma semana após o início do conflito com os EUA e Israel.
A guerra pode fazer com que consumidores e empresas enfrentem semanas ou até meses de preços mais altos de combustível, mesmo que o conflito termine rapidamente. Isso ocorre porque os fornecedores podem lidar com instalações danificadas, logística interrompida e riscos elevados no transporte.
O Kuwait, quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciou no sábado (7) cortes preventivos em sua produção de petróleo e em suas refinarias devido a “ameaças iranianas à passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”.
A produção no Iraque, segundo maior produtor da Opep, praticamente entrou em colapso. A produção dos três principais campos petrolíferos do sul do país caiu 70%, para 1,3 milhão de barris por dia. Esses campos produziam 4,3 milhões de barris por dia antes da guerra com o Irã.
Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, afirmaram no sábado que estão “gerenciando cuidadosamente os níveis de produção offshore para atender às necessidades de armazenamento”.
Os contratos de gasolina dos EUA atingiram US$ 3,22 (R$ 16,84) por galão, o maior valor desde 2022. O movimento ocorre enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma aos consumidores norte-americanos que o impacto sobre o custo de vida será limitado antes das eleições de meio de mandato em novembro.
Cortando produções?
A Saudi Aramco começou a cortar a produção em dois de seus campos depetróleo, disseram fontes. Na semana passada, analistas disseram que esperavam que os pesos pesados da Opep, incluindo os Emirados Árabes Unidos, tivessem que cortar a produção em breve, já que estão ficando sem capacidade de armazenamento depetróleo.
A produção depetróleoiraquiana em seus principais campos petrolíferos do sul caiu 70%, segundo fontes, e o armazenamento depetróleobruto atingiu a capacidade máxima.