Bom dia. Estamos na segunda-feira, 9 de março.
Cenário
No domingo (8), pela primeira vez desde o início dos conflitos entre Irã e a coalizão entre Estados Unidos e Israel, instalações de petróleo iranianas foram atacadas. Quatro tanques de armazenamento de petróleo e um terminal de transferência de derivados foram destruídos nos arredores de Teerã, causando quatro mortes.
O ataque aumentou a preocupação de que os países do Oriente Médio reduzam a produção e fez os preços do petróleo dispararem na segunda-feira (9). O petróleo Brent subiu mais de 10%, para US$ 102,22 por barril. Na madrugada, o petróleo ultrapassou os US$ 110 pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
O Kuwait, quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciou no sábado (7) cortes preventivos em sua produção de petróleo e em suas refinarias devido a “ameaças iranianas à passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”.
A produção no Iraque, segundo maior produtor da Opep, praticamente entrou em colapso. A produção dos três principais campos petrolíferos do sul do país caiu 70%, para 1,3 milhão de barris por dia. Esses campos produziam 4,3 milhões de barris por dia antes da guerra com o Irã.
Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, afirmaram no sábado que estão “gerenciando cuidadosamente os níveis de produção offshore para atender às necessidades de armazenamento”.
Os ministros das Finanças do Grupo dos Sete (G7), deveriam realizar uma teleconferência às 10h30 (hora de Brasília) para discutir a ideia e o impacto da guerra e planejar uma liberação coordenada de petróleo bruto de suas reservas estratégicas.
Perspectivas
Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em baixa de cerca de 1,5% no pré-mercado, com a alta dos preços do petróleo ampliando a expectativa de alta da inflação e dos juros nos Estados Unidos. Além disso, a incerteza da situação do Oriente Médio tem provocado uma aversão ao risco por parte dos investidores.
O primeiro impacto na economia brasileira seria um aumento dos preços dos combustíveis, o que depende do repasse da Petrobras. Na sexta-feira (6), com a commodity a US$ 87 por barril e a defasagem da gasolina em 25% e a do diesel em 60%, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa não vai repassar a volatilidade do preço ao consumidor.
Se essa estratégia for mantida, o primeiro impacto da crise global fica anulado. Entretanto, Segundo Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, isso não quer dizer que as expectativas condicionais do Banco Central (BC) não serão afetadas. “No último Copom, o BC considerou uma curva cujo spot estava ao redor de US$ 65 por barril”, escreveu ele em seu comentário matinal. “Com quase o dobro do preço, o BC terá de elevar suas perspectivas inflacionárias para os próximos anos, e isso pode vir a justificar um afrouxamento monetário mais gradual”, afirmou.
Indicadores
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