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Após Lucro de R$1 Bilhão no 1º Trimestre, Gerdau Prevê Cenário Favorável Apesar da Guerra

A margem da operação brasileira nos três primeiros meses deste ano foi de 9,2% ante 24,1% das operações na América do Norte

6 min

A produtora de aços longos e planos Gerdau anunciou na última segunda-feira (27) lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão para o primeiro trimestre, um crescimento de 33,6% sobre o resultado apresentado um ano antes.

A companhia teve um resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de quase R$ 3 bilhões, expansão de 23,2% na comparação anual.

Analistas, em média, esperavam que a Gerdau apresentasse lucro de R$1,29 bilhão, com Ebitda de R$2,8 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.

A empresa, que obtém parte relevante de seu resultado na América do Norte, em especial dos Estados Unidos, afirmou que a região teve Ebitda ajustado de R$ 2,25 bilhões nos três primeiros meses do ano, ante R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2025.

Enquanto isso, a operação no Brasil seguiu perdendo participação no resultado operacional da companhia, entregando um Ebitda que foi equivalente a 19,2% do total do grupo ante uma fatia de 43,2% no primeiro trimestre de 2025. A margem da operação brasileira nos três primeiros meses deste ano foi de 9,2% ante 24,1% das operações na América do Norte. Um ano antes, a margem do Brasil foi de 14,6%.

A Gerdau afirmou ainda que seu conselho de administração aprovou pagamento de R$ 354 milhões em dividendos aos acionistas, equivalente a R$ 0,18 por ação. Na holding controladora, Metalúrgica Gerdau, o valor será de R$ 106 milhões ou R$ 0,08 por ação. Os pagamentos ocorrerão em 9 e 10 de junho.

A empresa ainda anunciou o cancelamento de 225 mil ações ordinárias e de 7,38 milhões de ações preferenciais.

Há ainda um programa de recompra de ações da companhia em andamento. Segundo a Gerdau, o programa de 2026 teve aquisição de 21% das ações autorizadas, representando um investimento de R$ 211 milhões.

O grupo terminou março com uma alavancagem financeira de 0,74 vez, ante 0,76 vez no final de 2025 e 0,69 vez no primeiro trimestre do ano passado.

Empresa espera melhoria de margens no Brasil apesar de impactos da guerra

O grupo prevê obter melhoria de margem de lucro no Brasil nos próximos trimestres, apesar de fortes impactos em custos que incluem fretes, que já estão se fazendo sentir nas contas da companhia, e que serão registrados nos próximos meses derivados de insumos como carvão.

“Com um aumento desses de custos, temos buscado nossos clientes para conseguirmos um novo patamar de rentabilidade”, disse o presidente-executivo da companhia, Gustavo Werneck, em entrevista a jornalistas ao ser perguntadosobre eventuais aumentos de preços de aço no Brasil.

“As negociações com fornecedores de insumos têm sido muito árduas”, afirmou Werneck.

Segundo o vice-presidente financeiro da Gerdau, Rafael Japur, fretes terrestres e custos com gás natural são os principais impactos imediatos derivados da guerra no Oriente Médio, que desencadeou um aumento global nos preços internacionais do petróleo e seus derivados desde o final de fevereiro. O gás é usado pela Gerdau no processo de reaquecimento de aço para laminação.

“Em torno de 9% a 12% do nosso custo de vendas no Brasil é frete”, disse Japur.

Sobre carvão, o executivo afirmou que a Gerdau ainda não viu uma mudança significativa no preço do insumo em suas contas, mas diante de um aumento dos fretes internacionais, da ordem de 20% a 30%, entre Brasil e Ásia, deve haver um impacto na estrutura de custos da companhia nos próximos meses.

“A gente faz pedidos (de carvão) com grande antecedência… tipicamente o ‘lead time’ é de 90 a 180 dias entre o aumento do preço do carvão e isso transitar efetivamente nos custos da companhia”, disse o vice-presidente financeiro.

No primeiro trimestre, a margem de lucro operacional (Ebitda) das operações da Gerdau no Brasil foi de 9,2%, melhorando sobre os 7,1% do final do ano passado, mas ainda longe dos 14,6% do início de 2025 e dos 24,1% das operações norte-americanas do grupo, segundo o balanço publicado na noite da véspera.

“Esse patamar de rentabilidade não é possível de ser mantido num prazo de tempo muito longo”, disse Werneck. “É imperativo voltarmos a um patamar que remunere nosso capital nos próximos trimestres”, acrescentou.

Japur exemplificou a situação das operações da Gerdau no Brasil: “Tivemos uma margem de 9,2% no Brasil e temos um custo financeiro em torno de 10%… Não precisa fazer muita conta para ver que não gera lucro uma margem de 9%.”

Segundo os executivos, parte da melhora das margens no Brasil deve vir de investimentos nas operações brasileiras, que no primeiro trimestre foram equivalentes a 84% do R$1,1 bilhão desembolsado pelo grupo no mundo.

Meses atrás, Werneck chegou a mencionar que a Gerdau iria rever investimentos no Brasil, se o país não tomasse medidas de defesa comercial contra importações de aço, especialmente da China.

Desde então, o governo federal aprovou uma série de ações para coibir importações excessivas de aço, incluindo sobretaxas antidumping sobre aços planos laminados a frio e revestidos.

Agora a Gerdau, e outras siderúrgicas que operam no Brasil, esperam para entre final de junho e início de julho antidumping sobre aços planos laminados a quente.

Além disso, Japur afirmou na entrevista que a Gerdau prevê para o segundo semestre uma decisão sobre o pedido de antidumping sobre fio máquina, um produto usado como insumo para a fabricação de itens como pregos, parafusos, molas, telas, e componentes automotivos.

O executivo disse que o pedido de antidumping foi feito no ano passado, mas não deu detalhes sobre possíveis margens para as sobretaxas.

“Em torno de 30% do nosso negócio no Brasil são barras, (produtos para) concreto armado e vergalhão”, disse o executivo. “E, dentro dessa família, o pedaço de fio máquina representa 10% das nossas vendas no Brasil.”

Werneck afirmou que fio máquina foi um dos principais produtos de aço longo importados pelo Brasil nos últimos meses “de forma desleal”, sem seguir os padrões da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O executivo disse ainda que a empresa também deve fazer um pedido ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) de antidumping sobre vergalhões.

As ações da Gerdau exibiam alta de 1,8% às 11h44, na ponta positiva do Ibovespa que mostrava recuo de 1%.

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