Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão de ser membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de 1º de maio, após refletirem sobre sua “visão estratégica e econômica de longo prazo”. A decisão pode afetar a capacidade do grupo de controlar a oferta de petróleo e os preços ao redor do mundo.
O país fez o anúncio por meio da agência estatal de notícias WAM e citou a “volatilidade de curto prazo” no mercado, além do desejo de ampliar investimentos na produção doméstica de energia.
O comunicado também mencionou a guerra contra o Irã iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, que tem prejudicado o transporte de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz, além da intenção do governo de atender ao que considera ser um “crescimento sustentado” da demanda por energia no médio e longo prazo.
A decisão de deixar o grupo ocorre após críticas do país a outros Estados árabes por não fazerem o suficiente para proteger a região de ataques durante o conflito com o Irã, iniciado por Estados Unidos e Israel, e em meio ao aumento de atritos com a Arábia Saudita, líder de fato da Opep.
Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro maior produtor de petróleo da Opep, atrás de Arábia Saudita e Iraque, e sua saída da aliança sinaliza disputas internas que podem afetar a influência do grupo sobre os mercados globais.
Além disso, o país também deixará a Opep+, uma aliança mais ampla formada em 2016 que reúne os 12 membros principais da Opep e outros 10 grandes produtores, incluindo Rússia, México e Cazaquistão.
O que observar
A movimentação dos preços do petróleo será um dos principais pontos de atenção. O barril do petróleo Brent subiu 4% na manhã de terça-feira, ultrapassando US$ 105 (R$ 525) após a notícia de que o presidente Donald Trump estaria insatisfeito com a proposta do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz. No entanto, o preço recuou para US$ 104 (R$ 520) por barril depois do anúncio de saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep. Ainda assim, o Brent acumula alta de cerca de US$ 10 (R$ 50) na última semana.
* Matéria originalmente publicada em Forbes.com