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Veterano da Tesla Está Operando Mina de Cobre com Robôs Movidos por IA

A Mariana Minerals, liderada pelo CEO Turner Caldwell, afirma estar operando a primeira mina autônoma do mundo, extraindo e refinando cobre em Utah

6 min

O CEO e cofundador da Mariana Minerals, Turner Caldwell, aposta que o próximo grande uso da inteligência artificial não será mais um chatbot — será uma mina de cobre.

Sua startup, Mariana Minerals, está lançando hoje a primeira operação de mineração autônoma do mundo em sua mina Copper One, no remoto sudeste de Utah: perfuratrizes automatizadas fazem a escavação, enormes caminhões robóticos transportam o minério para processamento, e uma plataforma com IA chamada MarianaOS acompanha e coordena toda a operação. A empresa também utiliza o robô quadrúpede Spot, da Boston Dynamics, equipado com sensores, para patrulhar a área de 10.000 acres e inspecionar as condições.

Se funcionar, a Mariana poderá ajudar a impulsionar tanto a oferta quanto o refino de cobre nos Estados Unidos, à medida que a demanda pelo metal aumenta e o debate político em torno dos “minerais críticos” ganha força. Em alguns anos, a empresa poderá gerar centenas de milhões de dólares em receita tanto com a mina de cobre em Utah quanto com uma operação separada de refino de lítio que está sendo instalada no Texas, recuperando o mineral a partir de águas residuais de campos de petróleo e gás.

“Esta será a primeira mina a operar com autonomia de ponta a ponta”, disse Caldwell à Forbes. “Quando olhamos para a oportunidade da mineração e do refino autônomos, vemos potencial para uma redução de 30% nos custos de refino e de 40% a 50% nos custos de mineração.”

A plataforma da Mariana analisa o minério coletado em tempo real a partir de dados de sensores, ao mesmo tempo em que atua como uma camada de comunicação entre as perfuratrizes automatizadas e os caminhões de transporte, cada um operando com seus próprios sistemas de IA.

O cobre está em toda parte — eletrônicos, fiação elétrica, baterias, encanamentos e equipamentos industriais. E é caro, sendo negociado a cerca de US$ 13.000 por tonelada (R$ 68.900). Os Estados Unidos produzem parte do cobre que consomem, mas importam aproximadamente metade, principalmente do Chile e do Canadá, com grande parte desse minério sendo refinada na China. A Mariana, sediada em San Francisco e apoiada por US$ 100 milhões (R$ 530.000.000) captados de grandes fundos de venture capital de tecnologia, incluindo Andreessen Horowitz, Breakthrough Energy, Earthshot Ventures e Khosla Ventures, também pretende refinar sucata de cobre no local em Utah, com a meta de produzir 50.000 toneladas de cobre refinado por ano até 2030, a partir de fontes novas e recicladas.

Escassez de mão de obra e o papel da automação

A mina adquirida pela Mariana no fim do ano passado operava como Lisbon Valley Mining Company até ser fechada em 2024, devido ao aumento dos custos operacionais e à dificuldade de encontrar trabalhadores.

“A disponibilidade de mão de obra nessas regiões remotas pode ser desafiadora”, disse Caldwell. “Grande parte do motivo pelo qual tiveram que encerrar as operações foi a limitação da força de trabalho e a falta de motoristas para os caminhões de transporte.” É nesse ponto que a automação terá maior impacto. “Se a força de trabalho não existe ou é muito cara de mobilizar nessas regiões remotas, a autonomia surge como uma solução direta.”

Ainda assim, ele espera que o número de funcionários no local cresça “de forma bastante significativa” em relação ao nível anterior, mas com funções diferentes: mais profissionais técnicos e de manutenção, em vez de mineiros e motoristas.

A Andreessen Horowitz, principal investidora da Mariana, se envolveu porque “vemos mineração e minerais críticos como um espaço grande e importante que, de forma geral, recebeu poucos investimentos em tecnologia nas últimas décadas”, disse Erin Price-Wright, sócia da firma de venture capital sediada no Vale do Silício. “É muito diferente de petróleo e gás, que tiveram ampla adoção de tecnologia. Na verdade, está no extremo oposto do espectro.”

Tecnologia, investidores e os desafios do setor

Caldwell não está entrando nesse setor sem experiência. Ele anteriormente liderou a equipe de minerais e metais para baterias da Tesla, ajudando a desenvolver as operações de reciclagem de baterias e a projetar a refinaria de lítio da empresa no Texas. “Quando conhecemos Turner, pensamos: esta é a pessoa capaz de fazer isso; de montar a equipe; alguém que já construiu projetos complexos e altamente operacionais como esses. Ele entende o setor”, disse Price-Wright.

A pilha de autonomia da Mariana é construída a partir dos mesmos tipos de ferramentas de IA — especialmente aprendizado por reforço — que sustentam veículos autônomos e permitem que robôs humanoides naveguem em ambientes complexos, disse Caldwell. Na Copper One, a empresa utiliza perfuratrizes autônomas fornecidas pela Sandvik, da Finlândia, e caminhões robóticos da Pronto, uma empresa de tecnologia de direção autônoma adquirida no início deste ano pela Atoms, de Travis Kalanick, cofundador da Uber.

A Pronto foi criada por Anthony Levandowski, que integrou a equipe original de carros autônomos do Google antes de sua reformulação como Waymo, e que foi recrutado por Kalanick para liderar o programa de veículos autônomos da Uber em 2016. Pouco tempo depois, ele foi acusado de roubo de propriedade intelectual da Waymo. Em 2020, declarou-se culpado de uma acusação de roubo de segredo comercial em tribunal federal e foi condenado a 18 meses de prisão. Ele recebeu perdão presidencial de Donald Trump em 20 de janeiro de 2021, último dia de seu primeiro mandato.

Extrair e refinar cobre na mina de Utah usando software com IA é fundamental para a capacidade da empresa de fornecer o metal a preços competitivos no mercado, e a tecnologia também pode ser uma forma de superar a crescente escassez de mão de obra especializada em mineração nos Estados Unidos para competir com a China.

“Essa força de trabalho basicamente foi reduzida pela metade nos últimos 20 anos. E, nos próximos 10 anos, está no caminho para ser reduzida pela metade novamente”, disse Caldwell. “Nós simplesmente não temos engenheiros que saibam projetar a infraestrutura. Não temos engenheiros que saibam desenvolver a química para refinarias. Não temos engenheiros que saibam otimizar essa química e fazê-la operar em escala. E não temos tempo para passar duas gerações esperando para requalificar e reconstruir essa força de trabalho.”

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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