1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Dólar Sobe Aos R$ 5,06 Puxado Pelo Cenário Político no Brasil e Pelo Exterior
Forbes Money

Dólar Sobe Aos R$ 5,06 Puxado Pelo Cenário Político no Brasil e Pelo Exterior

Ibovespa fecha em queda com ruído político local; Petróleo sobe mais de 3% por temores de um novo combate entre EUA e Irã

6 min

O dólar fechou a sexta-feira (15) em alta e novamente acima dos R$ 5,05, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior e repercutindo notícias no cenário político brasileiro.

O dólar à vista subiu 1,59%, aos R$5,0664. Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48% e, no ano, recuo de 7,70%.

Às 17h05, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — avançava 1,53% na B3, aos R$5,0815.

A moeda norte-americana sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação.

Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás.

“O pregão desta sexta-feira consolida um cenário de forte aversão ao risco (risk-off), com uma reprecificação agressiva de ativos globais frente à resiliência da inflação e tensões geopolíticas persistentes”, resumiu Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, em comentário escrito.

O cenário turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano — mas o real era a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em queda pressionado pela maior aversão a risco no exterior diante das preocupações com a inflação global, ao mesmo tempo em que os investidores seguiram de olho nos desdobramentos políticos domésticos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 177.238,83 pontos, chegando a 175.417,25 na mínima, depois de marcar 178.340,52 na máxima. O volume financeiro somou R$31,58 bilhões.

Na semana, o índice acumulou 3,71% de queda.

Em meio a pressões diversas, o Ibovespa, que chegou a registrar queda de mais de 1% pela manhã, reduziu as perdas ao longo da sessão, ajudado por ações como Petrobras, mas ainda assim fechou no vermelho.

Os agentes seguiram monitorando o noticiário político e eleitoral. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, esforçaram-se na quinta-feira para minimizar os laços do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de crimes. O senador negou qualquer irregularidade.

Nesta quinta-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, disse que a campanha continua e sua agenda de compromissos está mantida normalmente.

Para o gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, o Ibovespa segue com uma tese construtiva no médio prazo, mas entrou em uma fase de maior seletividade.

“Com Selic ainda alta, câmbio voltando a pressionar e juros futuros subindo, o investidor tende a privilegiar empresas com balanço sólido, geração de caixa previsível e setores essenciais, como energia elétrica, saneamento, concessões, logística, rodovias, infraestrutura básica e bancos bem capitalizados”, disse Belitardo.

“Já commodities alavancadas, varejo, construção e empresas dependentes de queda rápida dos juros exigem mais cautela”, acrescentou o gestor da Hike Capital.

Destaques

• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,73%, BRADESCO PN perdeu 0,84%, SANTANDER BRASIL UNIT teve queda de 0,81% e BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,29% em dia negativo para o setor.

• PETROBRAS PN subiu 1,04% e PETROBRAS ON avançou 2,17%, em linha com os ganhos do petróleo no exterior.

• VALE ON subiu 0,76%, revertendo as perdas da manhã e contrariando os contratos futuros de minério de ferro, que caíram pela quarta sessão consecutiva pressionados pelos altos estoques nos portos da China. O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na bolsa de Dalian caiu 0,67%, a 809,5 iuans (US$ 118,97) a tonelada métrica.

• COSAN ON recuou 5,16%, sendo um dos destaques negativos do pregão, após reportar na véspera prejuízo líquido de R$1,6 bilhão no primeiro trimestre. O presidente da empresa disse nesta sexta-feira que pode vender participação na Raízen após se tornar minoritária.

• CPFL ON caiu 1,53%. Na quinta-feira, a empresa reportou que fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$1,8 bilhão, avanço de 18% na comparação anual, ajudado principalmente por efeitos financeiros e tributários positivos.

Petróleo

Os preços do petróleo subiram depois que os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do ministro das Relações Exteriores do Irã reduziram ainda mais as esperanças de um acordo para acabar com os ataques e apreensões de navios no Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 109,26 por barril, com alta de US$ 3,54, ou 3,35%. Os contratos futuros do West Texas Intermediate dos Estados Unidos fecharam a US$ 105,42 por barril, com alta de US$ 4, 25, ou 4,2%.

Durante a semana, o Brent subiu 7,84% e o WTI 10,48%, devido à incerteza sobre o cessar-fogo instável na guerra do Irã.

“O tom entre os EUA e o Irã mais uma vez se tornou significativamente mais conflituoso. Embora o cessar-fogo se mantenha, as esperanças de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz desapareceram”, disseram os analistas do Commerzbank.

O Irã não tem “nenhuma confiança” nos Estados Unidos e está interessado em negociar apenas se Washington estiver falando sério, disse o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, nesta sexta-feira, acrescentando que o Irã está preparado para voltar a lutar, mas também está preparado para soluções diplomáticas.

Trump disse que está ficando sem paciência com o Irã e que concordou com o presidente chinês Xi Jinping que não se pode permitir que o Irã tenha uma arma nuclear e que deve reabrir o estreito. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo normalmente passa pelo estreito, que é a porta de entrada para o Golfo e a principal rota de exportação para países como Arábia Saudita, Iraque e Catar.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.