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Ibovespa Recua e Fecha Abaixo de 175 Mil Pontos Pressionado por Petrobras

Petróleo cai 5% com investidores de olho em negociações de paz entre EUA e Irã; Dólar sobe ante real em meio à cautela sobre negociações entre EUA e Irã

9 min

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (27), com as ações da Petrobras entre as maiores pressões, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior, com investidores na expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) foi destaque negativo, com a notícia de que fará mudanças na oferta de ações que pode levar à privatização da companhia, após propostas de potenciais investidores de referência ficarem aquém do pretendido pelo estado de Minas Gerais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,48%, a 175.744,37 pontos. Na mínima do dia, recuou a 175.554,89 pontos. Na máxima, avançou a 177.640,02 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 22,85 bilhões antes dos ajustes finais.

“Apesar da queda do petróleo e de sinais pontuais de avanço diplomático, o mercado segue sensível com o risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio”, afirmou o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad.

No Brasil, oIPCA-15subiu 0,62% em maio, acima do esperado e maior alta para o mês em dez anos, sob pressão dos preços de energia elétrica e alimentos, com a taxa em 12 meses atingindo 4,64%, superior ao teto da meta do Banco Central.

De acordo com Shahini, o IPCA-15 acima do esperado reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic.

Destaques

• PETROBRAS PN recuou 1,43% e PETROBRAS ON caiu 1,62%, na esteira da queda do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON cedeu 2,73%, PETRORECONCAVO ON perdeu 0,76% e BRAVA ON fechou negociada em queda de 0,8%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que a Petrobras não pode pensar apenas em si mesma como empresa, mas sim levar em conta as prioridades do Brasil, colocando seu potencial à disposição do país. Lula também afirmou acreditar que falta pouco para a estatal anunciar qual a quantidade de petróleo que existe na Foz do Amazonas.

• COPASA ON caiu 4,71%, após divulgar que a oferta pública secundária de ações registrada na semana passada será modificada, após instruções do acionista vendedor na operação, o governo de Minas Gerais. A companhia não divulgou quais mudanças serão feitas. Na noite de segunda-feira, acionistas da Aegea divulgaram a criação de um consórciopara fazer uma oferta por 30% da Copasa. Notícias na mídia tambémcitaramoferta da Equatorial. Uma fonte próxima ao tema afirmou à Reuters nesta quarta-feira que as ofertas recebidas de interessados em serem investidores de referência da Copasa ficaram abaixo do mínimo pretendido pelo governo mineiro.

• AXIA ON recuou 1,76% e ISA ENERGIA PN cedeu 1,44%, tendo no radar decisão da 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) de anular parte de uma portaria do governo federal que trata de umaindenização bilionáriaque vem sendo paga a transmissoras de energia elétrica, via tarifas, e determinarque os valores já pagos às empresas devem ser compensados aos consumidores. A medida se refere ao componente financeiro da chamada Rede Básica Sistema Existente (RBSE) e tem impacto para as receitas principalmente de Axia Energia e ISA Energia, que ainda detinham fluxos bilionários a receber nos próximos anos.

• COSAN ON recuou 6,31%, fechando em uma mínima desde outubro de 2015, a R$4,01. De acordo com documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais dos EUA), com data de 26 de maio, Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, vendeu 77.640 ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) da companhia a US$3,44 cada no último dia 22. A operação se deu por meio da Rio das Pedras, que pertence à holding Aguassanta.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,65%, acompanhado por BRADESCO PN, que avançou 0,9% e SANTANDER BRASIL UNIT, que encerrou com acréscimo de 0,55%. BANCO DO BRASIL ON terminou com variação negativa de 0,19% e BTG PACTUAL UNIT recuou 0,92%.

• VALE ON avançou 0,46%, em sessão de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. No setor, USIMINAS PNA foi o destaque positivo, com salto de 5,9%. A siderúrgica divulgou na véspera que a BlackRock, em nome de alguns de seus clientes, adquiriu ações preferenciais do grupo. CSN ON cedeu 2,09%, enquanto CSN MINERAÇÃO ON subiu 2,66% e GERDAU PN encerrou com acréscimo de 0,55%.

• EMBRAER ON fechou em alta de 1,55%, retomando a tendência de recuperação iniciada no último dia 20, após uma pausa na véspera. Analistas do Bradesco BBI destacaram que a queda dos papéis desde o final de janeiro foi muito além das revisões efetivas nos fundamentos e que veem uma janela rara de entrada nos papéis. “Vemos catalisadores de curto prazo que podem levar a um ‘re-rating’ das ações, incluindo possíveis pedidos do cargueiro C-390 pela Índia”, afirmaram.

Petróleo

Os preços do petróleo caíram 5% com os investidores aguardando atualizações sobre a estrutura de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em baixa de US$5,29, ou 5,31%, a US$94,29 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate perdeu US$5,21, ou 5,55%, para US$88,68.

Os índices de referência atingiram seu nível mais baixo em um mês no início da sessão. As perdas mais do que apagaram os ganhos do Brent na terça-feira.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que houve algum progresso nas negociações com o Irã em direção a um acordo. No entanto, o presidente Donald Trump disse que os EUA e o Irã ainda têm questões a serem resolvidas nas negociações de paz, enquanto a Fars News do Irã disse que ainda há questões não resolvidas.

Washington também rejeitou uma reportagem da televisão estatal iraniana sobre um acordo para restaurar a navegação através do Estreito de Ormuz dentro de um mês e para suspender um bloqueio naval dos EUA aos navios iranianos. Os EUA retirariam as forças militares das proximidades do Irã e suspenderiam seu bloqueio naval, disse a TV estatal iraniana, acrescentando que a gestão do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz será feita pelo Irã em cooperação com Omã.

“Um líder das forças armadas iranianas declarou que a possibilidade de voltar à guerra é baixa, o que faz com que muitos comerciantes acreditem que um acordo de paz está se aproximando… Parece que os suprimentos globais extremamente restritos que haviam sido considerados no petróleo estão começando a diminuir”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociações da BOK Financial.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz também continuou, com um navio-tanque de derivados de petróleo operado pelo grupo de navegação chinês Cosco no processo de cruzar o ponto de estrangulamento na quarta-feira, depois que dois navios-tanque de petróleo navegaram no último dia, embora o tráfego de petróleo em geral ainda estivesse limitado, segundo dados de navegação.

Dólar

O dólar fechou em alta ante o real, em meio à cautela dos investidores em relação ao cenário no Oriente Médio, marcado por avanços e retrocessos nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,68%, aos R$5,0616. No ano, ela passou a acumular baixa de 7,79% ante o real.

A Casa Branca afirmou que a reportagem da TV estatal do Irã citando o esboço não era verdadeira. À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ainda não estava satisfeito em relação a um acordo, acrescentando que o país não estava discutindo a flexibilização das sanções contra o Irã.

Neste cenário, o petróleo Brent cedeu nesta quarta-feira, para abaixo dos US$95 o barril.

“O Brent caiu hoje com a notícia de uma minuta de entendimento entre EUA e Irã. O petróleo mais barato afeta negativamente o câmbio, por conta de estrangeiros que saem de empresas na bolsa brasileira”, comentou durante a tarde Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, ao justificar o avanço do dólar ante o real.

“O maior fluxo (de saída de recursos do país) vai ser de Petrobras”, acrescentou.

Após atingir a cotação mínima de R$5,0311 (+0,08%) às 9h30, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,0716 (0,88%), mantendo-se acima dos R$5,05 até o fim da sessão.

A influência trazida pelo exterior se sobrepôs inclusive aos dados de inflação divulgados pela manhã no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia da inflação oficial, subiu 0,62% em maio, mais que a taxa de 0,53% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Em abril, a taxa havia sido de 0,89%.

Nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64% – acima da expectativa de 4,55% dos economistas e do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.

A abertura do indicador também sugeriu um cenário ainda de pressão de preços. A inflação de serviços, conforme cálculos do banco Bmg, acelerou de 0,02% em abril para 0,48% em maio.

Para Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex, a pressão nos preços, causada pelo fechamento do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, tem se espalhado para além dos itens de energia, o que diminui o espaço para cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano.

“E a ideia de que vai ter menos cortes ou cortes mais devagar no Brasil favorece o rendimento dos títulos nacionais, favorece a atração de capital externo, e deveria fazer pressão baixista sobre a taxa de câmbio”, disse Mattos.

Segundo ele, a pressão baixista não se materializou “talvez muito por conta ainda do cenário geopolítico mais complexo”.

Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,062 bilhões em maio até o dia 22.

No exterior, às 17h08 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,10%, a 99,200.

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