Bom dia. Estamos na quarta-feira, 20 de maio.
Cenários
Nesta quarta-feira (20), às 15h00 (hora de Brasília), o Federal Reserve (FED), o banco central americano, publica a ata da reunião de 28 e 29 de abril. Nesse encontro, o Federal Open Market Committee (Fomc), versão americana do Copom, confirmou as expectativas e votou pela manutenção dos juros nos EUA na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
As justificativas foram duas. A primeira é que a inflação americana continua elevada, principalmente devido ao aumento dos preços globais da energia. A segunda é que os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.
Esta ata possui um significado especial. Ela é o último registro das decisões do Fomc sob a liderança de Jerome Powell, cujo mandato se encerrou em 15 de maio. Como seu sucessor, o economista Kevin Warsh, ainda não tomou posse, Powell deverá seguir como presidente interino até o dia 22, data em que se espera a nomeação do novo presidente – escolhido a dedo por Donald Trump.
Warsh vai presidir sua primeira reunião do Fomc nos dias 16 e 17 de junho e já avisou que haverá mudanças. Ele afirmou em seu depoimento ao Senado que pretende reduzir a frequência das comunicações do FED e evitar entrevistas coletivas após as reuniões. O que os investidores querem saber é como a próxima decisão sobre a taxa de juros será sinalizada e interpretada.
Enquanto junho não chega, os investidores esperam que a ata mostre como cada membro do Fomc abordou a tensão entre a inflação persistente e um mercado de trabalho em desaceleração, mas ainda aquecido.
Os dados de inflação seguem complicados. O Consumer Price Index (CPI) de abril, divulgado em 12 de maio, registrou alta de 3,8% na inflação acumulada em 12 meses, acima dos 3,6% nos 12 meses até março e também levemente acima da expectativa, que era de 3,7%. Já o índice de empregos não agrícolas (“non farm payroll”) referente a abril, divulgado em 8 de maio, mostrou um aumento de 115 mil vagas e uma taxa de desemprego de 4,3%.
Um dos pontos que os investidores vão observar com cuidado na ata é como os diretores do Fomc avaliam a inflação provocada pela alta dos combustíveis – se é algo passageiro ou se está se incorporando aos demais preços da economia. Essa divergência vai pautar as expectativas do mercado com relação ao comportamento de Warsh a partir de junho.
Enquanto o texto não é divulgado, os juros estão subindo no mercado secundário. Na terça-feira (19), a forte alta dos juros dos títulos do Tesouro americano pressionou as bolsas em Nova York. O índice S&P 500 caiu 0,67%, enquanto o Nasdaq Composite recuou 0,84%, acumulando a terceira sessão consecutiva de perdas para ambos.
O rendimento dos Treasuries de 30 anos chegou a superar brevemente os 5,19%, atingindo o maior nível em quase 19 anos. Já a taxa dos títulos de 10 anos avançou para 4,687%.
Perspectivas
Enquanto a ata não é publicada, os investidores preferem adotar uma perspectiva otimista devido a um momento de distensão no conflito entre Estados Unidos e Irã. O vice-presidente americano, J.D. Vance, disse que houve “grandes progressos” nas negociações entre os dois países. Além disso, há expectativas de normalização parcial da navegação no Estreito de Ormuz, incluindo o trânsito de navios chineses e indianos pela região. Se isso se confirmar, os mercados poderiam experimentar um forte alívio sobre os preços de energia e sobre a pressão nos títulos soberanos globais. Os contratos futuros dos índices americanos e as ações brasileiras estão em alta no pré-mercado. O petróleo está em queda de 3%, com o barril do Brent cotado a US$ 108.
Indicadores
BRASIL
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ESTADOS UNIDOS
Ata da reunião do Fomc