Bom dia. Estamos na terça-feira, 12 de maio.
Cenários
Hoje é dia de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de abril. Nos EUA, o Bureau of Labor Statistics informa o Consumer Price Index (CPI), também referente a abril. As expectativas não são positivas.
No caso brasileiro, a projeção é que o IPCA mostre uma aceleração da inflação para 4,41% em 12 meses ante os 4,14% nos 12 meses até março. Se confirmado, esse resultado colocará o índice perigosamente acima do teto da meta, o que pode levar o Banco Central (BC) a interromper ou no mínimo desacelerar o processo de corte na Selic.
Nos Estados Unidos a projeção para a inflação geral é de 3,7% em 12 meses, acima dos 3,3% nos 12 meses até março. A estimativa para o núcleo da inflação, que não considera os preços dos alimentos e dos combustíveis, é menor, mas também é de alta. A projeção é de uma variação de 2,7% em 12 meses ante os 2,6% nos 12 meses até março. Se confirmados, esses números mostram a pressão potencial da alta do petróleo sobre a inflação americana.
Os resultados desta terça-feira podem confirmar a pressão da alta das cotações do petróleo sobre os preços. No mercado internacional, o barril de petróleo do tipo Brent segue persistentemente acima de US$ 100, o que mantem em alta os preços dos combustíveis e também da energia.
O Boletim Focus acumula nove semanas consecutivas de revisões para cima na estimativa de inflação para 2026. Na edição da segunda-feira (11) a projeção do IPCA para 2026 subiu pela nona semana consecutiva, passando de 4,89% para 4,91%. Os investidores projetam uma inflação quase meio ponto percentual acima do teto da meta. Essa desancoragem preocupa o BC.
Os índices antecedentes reforçam esse diagnóstico. O IGP-M, que mede a inflação de forma mais ampla, com peso significativo nos preços do atacado, deu sinais claros de aquecimento nas últimas semanas. O índice subiu 2,73% em abril ante 0,52% em março. A alta foi puxada principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que teve aumento de 3,49%, com elevação das matérias primas de 5,78%.
Esse comportamento é relevante porque preços no atacado tendem a se transmitir ao consumidor com alguma defasagem — o que sugere que o IPCA ainda pode sentir os efeitos dessa pressão nas próximas leituras mensais.
Nos Estados Unidos, o CPI nos 12 meses até março subiu 3,3% e o núcleo da inflação, excluindo alimentos e energia, avançou 2,6%. Esses números seguem muito acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano. O dado de abril não deve trazer alívio significativo. As projeções apontam para um CPI mensal de 0,7% e um CPI anual subindo para 3,8%, com o núcleo da inflação esperado em 0,3% no mês e 2,7% no acumulado de 12 meses.
A situação americana é agravada por fatores além do choque de petróleo. Os efeitos das tarifas, a expansão do déficit fiscal, um mercado de trabalho mais apertado pela mudança na política migratória e uma política monetária mais frouxa criam um ambiente macroeconômico em que a inflação pode superar 4% até o fim de 2026.
Perspectivas
Os dados de hoje terão um peso considerável no processo de formação de expectativas que antecede as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para 16 e 17 de junho. Uma confirmação de IPCA acima do esperado hoje pode reabrir o debate sobre a necessidade de manter ou até elevar o nível de aperto monetário.
Indicadores
BRASIL
IPCA (Abr)
Esperado: 0,70%
Anterior: 0,88%
IPCA (12m)
Esperado: 4,41%
Anterior: 4,14%
ESTADOS UNIDOS
Consumer Price Index (Abr)
Esperado: 0,6%
Anterior: 0,9%
Consumer Price Index (12m)
Esperado: 3,7%
Anterior: 3,3%
Núcleo do Consumer Price Index (Abr)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,2%
Núcleo do Consumer Price Index (12m)
Esperado: 2,7%
Anterior: 2,6%