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Por Que Acordo de Paz entre EUA e Irã Pode ter Sido uma Vitória Econômica para Teerã?

A assinatura de um cessar-fogo representa uma notícia positiva tanto do ponto de vista humanitário quanto econômico

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Os Estados Unidos e Irã divulgaram, na quarta-feira (17), o textodo acordoprovisório para pôr fim à guerra. Trump assinou pouco antesdeum jantardegala com o presidente francês Emmanuel Macron no PaláciodeVersalhes. Oacordoestendeum cessar-fogo anunciado em abril por mais 60 dias, inclusive no Líbano, para permitir que os dois lados negociem uma trégua final.

Tanto Donald Trump quanto o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram digitalmente o memorando do acordo em inglês e farsi, de acordo com autoridades dos dois países. O Ministério das Relações Exteriores iraniano também informou que o tratado entrou em vigor na quarta (17).

O memorando prevê o cessar-fogo imediato em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano, além da retomada integral e sem tarifas da navegação no Estreito de Ormuz. O documento também propõe o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, a suspensão das sanções econômicas contra o país, o descongelamento de ativos iranianos no exterior e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) destinado à reconstrução do Irã no pós-guerra.

A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, avalia que os ganhos econômicos do Irã ficam evidentes nos termos do acordo. “Vale lembrar que a economia iraniana já enfrentava um cenário bastante delicado, marcado pela aceleração da inflação, retração da atividade econômica, desvalorização da moeda e crescente insatisfação da população com a condução da política econômica”, afirma Araújo.

Para Livio Ribeiro, economista associado do FGV IBRE, embora o governo de Donald Trump tente apresentar o entendimento como um acordo firmado entre partes em condições equivalentes, os resultados indicam um cenário diferente. “Os Estados Unidos querem vender isso como um acordo entre partes iguais, mas objetivamente não foi o caso. O Irã foi bem-sucedido em sua estratégia de impor um custo econômico elevado que acabou levando os americanos a cederem em alguns pontos”, afirma.

Segundo Ribeiro, além da flexibilização das restrições econômicas, os investimentos prometidos para a reconstrução da infraestrutura iraniana representam um ganho relevante para o país, ao aumentar sua renda no curto prazo e reforçar sua posição estratégica na região. “O acordo deixa claro que o Irã exerce um controle muito maior sobre aquela região do que o mundo e os EUA imaginavam”, afirma.

A assinatura de um cessar-fogo, ainda que provisório, representa uma notícia positiva tanto do ponto de vista humanitário quanto econômico. O conflito deixou mais de sete mil mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de provocar instabilidade nos mercados globais.

Durante os momentos de maior tensão, os preços do petróleo chegaram a subir em torno de 50%, pressionando os custos de energia, alimentando a inflação e aumentando o risco de desabastecimento de alimentos em países em desenvolvimento. Com a redução das hostilidades, a expectativa é de normalização gradual do mercado de petróleo, podendo aliviar parte das pressões inflacionárias acumuladas ao longo do segundo trimestre.

Ribeiro destaca que o fechamento do Estreito de Ormuz representou um divisor de águas para o equilíbrio geopolítico global. “Hormuz nunca havia sido fechado. Agora que foi, o mundo sabe que pode voltar a ser fechado. Isso muda completamente o jogo”, diz. Ele ainda pondera que um dos principais pontos de atenção daqui para frente será a posição de Israel. “Benjamin Netanyahu entra nesse novo contexto mais forte do que sai, mas tende a ficar relativamente isolado em sua estratégia de conter o aumento da influência iraniana no Oriente Médio”, conclui.

EUA e Israel iniciaram a guerra contra o Irã em 28defevereiro, assassinando o líder supremo aiatolá Ali Khamenei,de86 anos, e líderes militares logo no primeiro dia.

Detalhes do Acordo

O Irã também se compromete a não fabricar armas nucleares, reafirmando uma promessa que havia feito há décadas. O país também concordou com a “diluição” no localdeseu estoquedeurânio enriquecido, sob a supervisão da Agência InternacionaldeEnergia Atômica, embora Trump quisesse retirá-lo do país – o que Teerã rejeitou.

“Vamos bombardeá-los até não poder mais se violarem oacordo”, disse Trump sobre o Irã em uma coletivadeimprensa. “Não quero que façam isso. Quero que honrem oacordo.” Ele também chamou os iranianosde”pessoas inteligentes”, enquanto negociadores norte-americanos e iranianos trabalham em uma trégua permanente nos próximos 60 dias, o que, segundo Trump, ele espera que tragapazao Oriente Médio e reduza os preços do petróleo. Antes, ele havia dito: “Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a jogar bombas bem no meio da cabeçadeles, ok?”

Líderes iranianos não abordaram as novas ameaças enquanto celebravam o momento, divulgando fotografias do que se acredita ser o primeiroacordoassinado por presidentes dos Estados Unidos e do Irãdesdea fundação da República Islâmica, em 1979. “Tudo o que buscávamos alcançar por meiodeação militar, obtivemos várias vezes mais por meiodenegociação; não era nem comparável”, disse o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, à televisão estatal sobre oacordo, que inclui odescongelamentodebilhõesdedólares em ativos iranianos.

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