1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Por Que o Ibovespa Derreteu Nesta Véspera de Feriado
Forbes Money

Por Que o Ibovespa Derreteu Nesta Véspera de Feriado

Índice cai 2,2% e Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio e novas propostas de tarifas

7 min

O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (03), embalado pela maior aversão aos ativos de risco nos mercados globais após novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo e as perspectivas para a inflação.      

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,22%, a 170.330,63 pontos, após marcar 170.007,55 na mínima e 174.192,19 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$28,52 bilhões.

Para além da geopolítica, depois de defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso do Brasil, a tarifa seria de 12,5%.

Durante reunião ministerial pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu discurso na reunião com ministros que foi surpreendido pela decisão dos EUA de anunciar novas tarifas contra o Brasil, uma vez que os dois governos estavam em negociação, e voltou a culpar a família Bolsonaro pelas ações do governo Trump.

Além disso, as recentes revisões altistas para a inflação doméstica, puxadas tanto pelo cenário externo quanto pelos indicadores de atividade domésticos mais fracos, azedaram ainda mais o humor do investidor local, que se preparava para o feriado de Corpus Christi.

Nesse contexto, o Ibovespa registrou fortes quedas ao longo da sessão, que passaram dos 2%, chegando quase a perder o patamar dos 170 mil pontos nas mínimas do dia.

“A bolsa está simplesmente realizando tudo que subiu ontem e dando continuidade na sequência de quedas. Ela [a bolsa] ainda tem alvos para baixo. É o movimento normal, mas que também guarda relação com a deterioração do cenário da guerra e a piora na relação entre Brasil e Estados Unidos nas últimas semanas. Tudo isso faz com que o investidor não queira ficar posicionado”, disse Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

Destaques

• VALE ON recuou 3,78%, em meio a queda do preço do minério de ferro na China arrastado pela redução das margens do aço e pelo enfraquecimento sazonal da demanda no país. O contrato mais negociado em Dalian caiu 0,57%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,12%, em dia majoritariamente negativo para o setor. BRADESCO PN perdeu 2,14%, BANCO DO BRASIL ON teve queda de 1,81%, SANTANDER BRASIL UNIT registrou recuo de 2,34% e BTG PACTUAL UNIT perdeu 4,77%.

• PETROBRAS PN recuou 0,77% e PETROBRAS ON caiu 1,12%, contrariando a alta da commodity no exterior.

• COSAN ON recuava 7,73%, sendo um dos destaques negativos do índice. A Raízen divulgou que realizaria ainda nesta quarta-feira assembleias gerais de titulares de debêntures emitidas pela companhia e pela Raízen Energia para deliberar a respeito do plano de recuperação extrajudicial e outros assuntos de competência. Os papéis da empresa fecharam em alta de 2,63%.

• CSN ON caiu 6,31% e CSN MINERAÇÃO perdeu 5,86%, em linha com as perdas do minério de ferro na China.

• CYRELA ON teve queda de 6,67%, sendo um dos destaques negativos do pregão, em meio ao avanço dos juros futuros. DIRECIONAL ON caiu 6,89% e MRV ON perdeu 3,54%.

Petróleo

Os preços do petróleo subiram ampliando os ganhos da sessão anterior, com o recrudescimento das hostilidades no Oriente Médio e com as negociações entre Irã e Estados Unidos mostrando pouco progresso.

Os contratos futuros do Brent fecharam em alta de US$ 1,81, ou 1,89%, a US$ 97,81 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$2,26, ou 2,41%, para US$96,02.

O Irã lançou mísseis balísticos contra os vizinhos regionais Kuweit e Barein, matando uma pessoa e ferindo dezenas, de acordo com as autoridades do Kuweit e a mídia estatal. As forças dos EUA realizaram ataques na ilha Qeshm do Irã.

“As chances de um cessar-fogo parecem estar se deteriorando”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho. “Essa é a direção errada para a qual estamos caminhando”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse durante uma entrevista à emissora libanesa Al Mayadeen nesta quarta-feira que os contatos de Teerã com Washington não foram cortados, mas não houve progresso nas negociações. Araqchi acrescentou que os dois lados estavam estudando os textos que foram trocados.

A agência de notícias semi-oficial do Irã, Tasnim, disse no início do dia que o Irã não havia respondido aos EUA nos últimos dias e que as trocas de textos por meio de intermediários foram suspensas até que as condições do Irã sobre o fim dos combates no Líbano sejam atendidas.

Israel está realizando sua mais profunda incursão no Líbano em 25 anos, em um conflito que se arrasta desde 2 de março, quando o grupo militante Hezbollah abriu fogo em solidariedade ao Irã.

Em uma entrevista em podcast publicada nesta quarta-feira, Trump disse que o Irã havia concordado em não ter uma arma nuclear e que o líder supremo Ayatollah Mojtaba Khamenei estava envolvido nas negociações.

Dólar

O dólar fechou em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.

Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar com a nova ameaça tarifária ao Brasil.

O dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, aos R$5,0661. No ano, passou a acumular baixa de 7,70% ante o real.

Às 17h05, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,12% na B3, aos R$5,0975.

As dúvidas sobre um possível acordo entre Irã e EUA deram força ao dólar ante quase todas as demais divisas, incluindo pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e a rupia indiana.

No Brasil, as cotações aceleraram à tarde em meio ao noticiário sobre as tarifas comerciais. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%.

Ainda que as tarifas ainda precisem de aprovação, a percepção mais geral entre os agentes foi negativa, poucos dias depois de os EUA também designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Após marcar a cotação mínima de R$5,0119 (+0,04%) às 9h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0917 (+1,63%) às 15h38, com os investidores se posicionando antes do feriado de quinta-feira, quando o mercado brasileiro estará fechado.

À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$743 milhões em maio.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.