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Cenários
A sessão começa com uma forte queda das ações de empresas de tecnologia nos mercados internacionais e com a divulgação da Ata da 279ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 16 e 17 de junho.
Começando pela Ata. O texto foi bastante conservador, mas trouxe uma postura cautelosa do Comitê. Logo no segundo parágrafo, o Comitê nota que “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram”, e que a incerteza com relação ao cenário externo seguiu em níveis elevados”.
Ao comentar os riscos de alta e de baixa para a inflação, a Ata indica que “o Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”. A expressão “com assimetria altista” é nova no texto, indicando uma preocupação maior que a habitual dos membros do Comitê.
O Comitê inseriu um risco adicional de alta: “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial”. Segundo o texto, isso tem um efeito negativo, “enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”.
Na última parte da Ata, a discussão sobre a condução da política monetária, o texto indica que “em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão”, e que “a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta”.
No entanto, o texto sugere que o Copom será cauteloso. “O Comitê julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros”.
Mais adiante, o texto informa que o “Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta.”
Apesar de ter deixado claro que o cenário piorou, o Comitê indicou que vai esperar para ver antes de endurecer a política monetária. Segundo Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio (FAC-SP), a “Ata sinaliza que o ciclo de queda da Selic continuará sendo conduzido com cautela”.
Para ele, apesar da redução para 14,25% ao ano, a inflação acumulada em 12 meses segue acima do teto da meta, o que limita o espaço para cortes mais agressivos nos próximos encontros. “A mensagem para o mercado é clara: o processo de flexibilização monetária continua, mas em ritmo gradual, preservando o compromisso com a convergência da inflação para a meta”, diz Simões.
No cenário internacional, os índices internacionais recuam fortemente devido a uma baixa das ações de empresas de tecnologia. Na Ásia, a bolsa da Coreia recuou 10% e os índices americanos, especialmente o Nasdaq, estão com fortes baixas no pré-mercado devido à queda das cotações de empresas de processadores e outros insumos para o setor de tecnologia.
No lado positivo, os preços do petróleo recuam novamente, com o barril do Brent cotado abaixo de 78 dólares. A perspectiva dos investidores é de que o acordo de paz entre Irã e Estados Unidos amplie a oferta da commodity.
Perspectivas
As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão em forte queda no pré-mercado, assim como os contratos futuros dos principais índices americanos.
Indicadores
BRASIL
Ata do Copom
ESTADOS UNIDOS
PMI Industrial (Jun)
Esperado: 54,6
Anterior: 55,1
PMI do Setor de Serviços (Jun)
Esperado: 51,1
Anterior: 50,7